Peça Um Passo Atrás é destaque na programação no TOP Teatro

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Com direção de Fabiana Carlucci, a montagem Um Passo Atrás é um projeto da atriz Camila Graziano.

O espetáculo Um Passo Atrás, texto de João Fábio Cabral, reestreia no dia 4 de dezembro, sexta-feira, no TOP Teatro, às 21h. Com direção de Fabiana Carlucci, a peça tem em cena os atores Camila Graziano e Zemanuel Piñero.

O enredo conta a história de Vick que, após a morte de sua mãe, retorna à casa de sua infância para resolver uma simples questão burocrática. Seu encontro com o inquilino Jorge, um artista plástico, traz à tona um passado cheio de segredos e um desfecho com revelações surpreendentes.

O texto foi escrito sob encomenda, a partir de um argumento elaborado por Camila Graziano, em parceria com a diretora. O ponto de partida de Um Passo Atrás é o luto com suas infinitas possibilidades, inevitável sempre que há o fim de uma relação, seja ela amorosa, profissional ou familiar. “O João Fábio conseguiu captar a essência do que Camila queria abordar nesse trabalho e escreveu uma história que reflete sobre o que é essencial à vida, como nos momentos em que, para seguirmos adiante, precisamos dar um passo para traz, rever nossa história e resgatar o que realmente é importante”, comenta Fabiana Carlucci.

Vick é uma mulher pragmática que obteve sucesso na carreira profissional fora do Brasil, mas guarda a frustração de não ter se dedicado também ao lado artístico. A peça começa no exato momento da morte de sua mãe, quando ela volta ao Brasil e descobre que está grávida. É preciso resolver questões burocráticas de herança, motivo que a faz retornar à casa onde viveu sua infância. Ela então conhece o inquilino Jorge, um artista plástico que a confunde com a dona de uma galeria com quem conversou ao telefone e que pode ser a sua salvação nesse momento. A possibilidade de expor as obras lhe devolve o entusiasmo e lhe traz expectativas. Mas o que parece ser um simples equívoco toma outras proporções: duas personalidades de universos completamente opostos se encontram, um passado comum vem à tona e juntos eles podem encontrar um novo caminho.

A direção de Fabiana busca construir a pulsação, a descoberta dessa relação. “A peça tem três momentos muito bem construídos: o primeiro da confusão entre dois estranhos, o segundo de um possível reconhecimento e o terceiro da revelação”. O tom realista de Um Passo atrás não nos afasta de uma construção idílica desse ambiente, já que o próprio texto condensa muitas reviravoltas e catarses. “A lacuna da paternidade vivida por Vick, que agora se vê na mesma situação em relação à sua gravidez e ao pai de seu filho, nos remete à teoria do Eterno Retorno, de Nietzsche, que diz respeito aos ciclos repetitivos da vida. Estamos sempre presos a um número limitado de fatos que marcaram o passado, ocorrem também no presente e podem se repetir no futuro. A opção na obra do dramaturgo João Fábio Cabral, é o resgate dessa história na possibilidade de resignar-se e seguir adiante, não sem antes dar um passo atrás”.

Essa complexa linha da memória que conduz a peça mostra que nenhuma relação é capaz de definir a totalidade das impressões pelas quais nos afeta. “Quantas vezes ouvimos alguém, que passa por uma fatalidade, dizer que vive um pesadelo? É como um se o tempo real se desconstruísse e imediatamente ganhasse outra forma, outro ritmo. Em Um Passo Atrás, Vick é arrebatada por um signo de infância que reconstrói sua memória e a coloca em outro lugar, em outro estado, e é a partir das revelações involuntárias de Jorge que tudo ganha novo significado”, reflete Fabiana.

A diretora explica que a concepção da montagem vibra na relação do antigo com o novo, no choque entre o que fica no tempo em contraponto com o efêmero da atualidade que é trazido por Vick. O trabalho com os atores passa pela contradição desses universos para levar à cena a relação das personagens, a partir de suas histórias pregressas.

A trilha sonora (de Fernanda Galetti) é composta por boleros, ruídos de chuva e sons não diegéticos. O cenário (de Rogério Harmitt) é realista, considerando que a ambientação é da casa desse artista plástico caótico. A luz (de Hugo Peake) desenha o ambiente e dá temperatura aos climas estabelecidos nessa relação. “Tudo muito simples no sentido da unicidade. Nada como ornamento, tudo a serviço dos atores”. Finaliza a diretora.

A relação profissional entre Fabiana Carlucci, João Fábio Cabral e Camila Graziano vem desde o final dos anos 90. A diretora e o dramaturgo já realizaram juntos cinco trabalhos: Notícias de Morte, Flores Brancas, Me Leva Pra Casa e Karina e a Comida do Brasil. Fabiana é também cineasta, sendo que os curtas-metragens que dirigiu têm roteiros assinados por João Fábio.

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