Peça Casa de Tolerância mistura diálogo e teatro em antigo prostíbulo

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foto de três mulheres nuas se abraçando em protesto contra a violência contra a mulher

O espetáculo Casa de Tolerância usa comida e uma linguagem bem diferente para discutir a violência doméstica contra a mulher

Apesar de ter uma casa como figura chave, o espetáculo Casa de Tolerância é uma daquelas intervenções que ‘fogem da casinha’, e usa de arte para mostrar a dura realidade da violência contra a mulher. Toda a encenação é feita dentro da sede da Companhia do Miolo, em uma antiga casa localizada no bairro da Penha, ambiente onde antigamente funcionava um prostíbulo doméstico.

Cômodos no lugar de palco

A montagem encenada na sede da companhia foi reaberta no último dia 3 de abril, e a tal casa, cheia de mistérios, serve como cenário e base para o roteiro da peça, que mistura à dramaturgia algumas histórias locais verídicas, levantadas com base em uma pesquisa realizada pelo grupo teatral.

Diferente das montagens teatrais convencionais, a Casa de Tolerância proporciona ao espectador uma experiência muito mais íntima e interativa, permitindo a ele participar da encenação enquanto circula pelos cômodos da antiga casa. De forma itinerante as atrizes convidam o público a passear pelos cômodos, criando um atrito entre a realidade e a representação.

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Na trama, são realizadas ações de um cotidiano doméstico, que ganham outras dimensões quando colocadas em contato com narrativas sobre a memória do lugar, além de outras narrativas como a possibilidade de que alguns corpos podem ter sido enterrados ou emparedados neste local.

Um tema contemporâneo

Há quem diga que os temas abordados na montagem, como a própria violência contra a mulher e outros levantes, como a diminuição das ideias e ações do feminino, ficaram no passado. De forma geral, ainda são recorrentes em várias regiões do Brasil e do mundo. É o caso do feminicídio recorrente em Juarez, no México, local onde, desde 1993, cinco mil mulheres foram mortas ou estão desaparecidas, apenas pelo fato de serem mulheres, e até hoje não há nenhum condenado.

Neste trabalho, o grupo convida o público para saborear uma galinhada, mote que dará vida a histórias de mulheres exploradas, violentadas e desaparecidas. A pequena casa, testemunha viva no bairro, devolve ao público uma arqueologia museológica, um memorial de tantas vozes silenciadas nesta condição do feminino.

Revelando o bairro e a história

Na vila da Penha, nos arredores da casa-cenário, ainda funcionam alguns prostíbulos, e esses locais foram utilizados na fase de pesquisa para a peça como fontes importantes da história local. Na mesma proporção em que a sociedade, de forma consciente ou não, vela a história desses locais, o espetáculo faz o oposto. A peça Casa de Tolerância revela os mistérios, escancara os temas e os discute com o público de forma direta, mais ou menos como numa conversa entre vizinhos.

Resumo do espetáculo

A Casa de Tolerância está aberta a este debate, mas para participar é necessário fazer uma reserva de ingressos antes, pois cada sessão da peça comporta no máximo 15 espectadores. As últimas apresentações acontecem neste final de semana e no próximo, pois o espetáculo se encerra no dia 1 de maio. A montagem é apresentada sempre aos sábados e domingos, às 17h. Os ingressos são gratuitos e podem ser reservados pelo e-mail [email protected], ou pelo telefone 11 3871-0871. O espetáculo é indicado para maiores de 14 anos.

Casa de Tolerância
Quando: Até o dia 1 de maio
Horários: Sábados e domingos às 17h
Onde: Sede da Companhia do Miolo
Endereço: Rua Dr Ismael Dias 111 – Penha
Ingressos: #VáDeGraça

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