Artista cria caixão colorido para abordar uma visão otimista da morte

0
8
Foto da artista Aline Pacholati dentro de seu caixão colorido

Sabe aquela história de ver as coisas de um jeito diferente, ou por outro ângulo? É quase isso. O caixão colorido da artista plástica Aline Pascholati propõe uma visão otimista sobre a morte. Convenhamos, caro leitor, que você provavelmente já se pegou pensativo sobre o assunto. O que tem depois? Existe vida após a morte? Existe alma? Pra onde a gente vai? São perguntas que costumam rondar nossas cabeças, principalmente quando elas estão aconchegadas no travesseiro pouco antes do sono.

O trabalho de Pascholati se integra a outros conhecidos trabalhos artísticos de temas ligados à morte, como as caveiras de Damien Hirst, cravejadas de brilhantes, e os jacentes de Jan Fabre. Ao contrário dessas obras, porém, os caixões coloridos de Aline Pascholati apresentam uma visão otimista da morte. Algo mais parecido com a temática egípcia, em que os sarcófagos eram decorados e serviam como um ambiente de passagem entre a vida terrena e a espiritual.

Como tudo começou

A ideia de criar este projeto remete a uma tela, chamada Metamorfose, criada pela artista em 2010, época em que residia em Paris. O caixão pintado na tela, cercado por traços coloridos, cujas formas remetem às asas de uma borboleta, resgata a ideia de um casulo. Assim como a lagarta, que passa a ser borboleta, a morte é representada como uma passagem. A questão aqui não é se existe algo após a morte, mas o que é que tem depois!

O caixão colorido, a obra de 2016

Agora fora da tela, em um exemplar real, também chamado Metamorfose, Aline transforma o caixão em um casulo de borboleta, e os traços coloridos feitos com tinta acrílica, que saem do centro em direção às bordas, simbolizam a alma e o seu movimento de transcendência.

Assim como a lagarta, inseto rastejante, que vira uma linda e colorida borboleta, também o corpo passa de um simples invólucro material a uma explosão de energia vital. E é o que ele se torna neste trabalho. Energia.

A técnica e a inspiração

A técnica usada pela artista remete às obras de Pollock, mas foi aperfeiçoada na série Explosões, que busca uma tradução dos sentimentos e humores do ser humano, e os transforma em arte abstrata. A cor violeta do fundo também tem um significado especial. Significa transmutação, transformação, em diversas filosofias.

Outra inspiração evidente vem do mito grego de Eros e Psiquê. No mito a belíssima mortal Psiquê perde seu amado Eros, e depois de difíceis tarefas consegue reconquistá-lo, tornando-se imortal e ascendendo à morada dos Deuses, o Olimpo. No grego antigo a palavra psyché significa alma, ou borboleta. Outra boa alusão à conquista da imortalidade após a vida terrena.

Gostou deste artigo? Deixe um comentário!