O fim da Virada Cultural na primeira proposta polêmica de João Dória

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Foto de um show de forró na Virada Cultural 2016

Uma década de tradição resumida em dez minutos de conversa. Numa retórica extremamente ‘prática’, Dória, com poucas palavras, anunciou que a Virada Cultura Paulista, do jeito que você conhece, chegará ao fim no próximo ano. O prefeito eleito de São Paulo fez o anuncio de algo tão complexo, dando a impressão de que a solução proposta, que é levar todo o evento para dentro do Autódromo de Interlagos, é tão simples quanto enfiar cinco elefantes dentro de um fusca. Dois na frente e três atrás.

Uma proposta pensada?

Uma observação feita pelo jornalista Julio Maria, do Estadão, desperta um senso mínimo de questionamento à proposta de João Dória. Como alocar 3 milhões de pessoas em um local cuja lotação máxima é de 80 mil? Só a resposta para esta questão já se faz mais complexa do que a explanação dada pelo novo prefeito da capital paulista.

Na visão de Dória, a coisa parece funcionar da seguinte maneira: A Virada Cultural gera alguns problemas, como resolver? Simples. Junta tudo dentro de uma área cercada, num único ponto, e monitora. Simples? Nem tanto. O Prefeito parece não ter entendido que o objetivo da Virada Cultural é justamente o oposto disso. A Virada busca a democratização do acesso à cultura, e não a burocratização dele. O autódromo fica no extremo da Zona Sul, um evento ali obrigará um deslocamento em massa, de cidadãos de diversos bairros, a uma região carente de acesso via transporte público.

E a descentralização?

Virada Cultura, no atual formato, é considerada um marco no calendário cultural da cidade. Desde 2005 os cidadãos têm a oportunidade de ter acesso às diversas formas de cultura na porta de casa, ou nas ruas de seu bairro. A descentralização cultural, a mistura e interação de pessoas vindas de tudo quanto é lugar e a democracia, a democracia de escolha e de oportunidades de entretenimento, e acesso à cultura, ali na virada, acabaram de entrar para a história, ou melhor, de ficar na história.

Ver um show do Caetano, e outros nomes da MPB, ou um show de Rock, Reggae, Samba, com grandes bandas ou novas bandas, de graça, na praça, acabou! Dória garantiu que em alguns bairros haverá programação cultural. Será chamada Mini Virada, e terá duração de 12 horas.

O que esperar para o próximo ano?

Um evento, que talvez seja grande, mas que talvez não devesse ser chamado de Virada Cultural. Talvez seja pago, com estacionamento pago, acesso restrito, feito pra algumas pessoas, isolado, lá no fim da Marginal.

E você leitor, você costuma frequentar a Virada Cultural de São Paulo? O que achou sobre a decisão? Vamos discutir isso juntos. Utilize a caixa de comentários abaixo para conversar com a gente, e nos ajudar a entender a visão de todos os cidadãos, seja qual for a sua opinião sobre o assunto.

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