Mundo Cão, de Marcos Jorge, chega às telonas com elogios dos criticos

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Com Babu Santana e Lázaro Ramos no elenco, o filme Mundo Cão, de Marcos Jorge, aborda o comportamento social numa época em que o sacrifício de animais abandonados ainda não era proibido por lei no Brasil

Um daqueles filmes para fazer o espectador pensar. Depois do sucesso Estômago, o diretor Marcos Jorge apresenta Mundo Cão, filme que fala sobre o comportamento do homem perante a rotina da vida social. O longa mostra como funcionava o abate de cães e gatos nos centros de zoonoses, no período em que o sacrifício não era proibido por lei no Brasil.

Mundo Cão se passa por volta de 2006, época em que a lei que proíbe o sacrifício de animais sadios ainda não havia sido sancionada no Brasil. Santana é um funcionário do Departamento de Combate às Zoonoses que trabalha recolhendo cachorros perigosos das ruas. Avesso a confusões, ele leva uma rotina tranquila com sua esposa e filhos até o dia em que seu caminho se cruza com o de um rottweiler. Por um mal-entendido, o dono do cão, Nenê se indispõe com Santana e suas atitudes vão alterar completamente a vida dele e de sua família.

Um elenco de peso traz vida aos personagens da trama de Marcos Jorge. Com Babu Santana no papel do funcionário público Santana, Adriana Esteves no papel de Dilza, mulher de Santana, Thainá Duarte interpreta Isaura e Vini Carvalho no papel de João, ambos filhos de Santana e Dilza. O personagem antagonista Nenê é vivido por Lázaro Ramos. O longa ainda conta com a participação do ator Milhem Cortaz, no papel de Cebola.

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Em entrevista ao Vá de Cultura, o ator Lázaro Ramos diz que o enredo do filme pode ser entendido como uma metáfora sobre a violência no geral, e traça um paralelo entre o abate de animais domésticos e as atitudes que o ser humano é capaz de tomar de forma impensada.

O filme se apropria desse momento histórico, em que se sacrificava um animal se em três dias o dono não aparecesse, pra falar de uma violência maior. Isso felizmente não acontece mais, mas é uma boa metáfora sobre a violência. Quais são as atrocidades que a gente faz quando a gente não espera um pouquinho mais?”, indaga o ator.

A lei estadual que proíbe o sacrifício de cães e gatos nos canis públicos de São Paulo, é a lei número 12.916, de 2008, de autoria do Deputado Feliciano Fillho, do PV. Antes de a medida entrar em vigor, era comum que o Centro de Controle de Zoonoses optasse pelo abate dos animais abandonados retirados das ruas, 72 horas após a captura, por meio de injeção letal.

Assim que a lei estadual entrou em vigor em São Paulo, em 2008, outros estados optaram por replicá-la, como contou o Deputado Estadual Feliciano Filho, autor da medida, em entrevista exclusiva ao Vá de Cultura.

Fiquei muito emocionado quando vi o trailer do filme, porque acabei vivenciando tudo aquilo que eu passei durante a minha vida toda. Graças a Deus a lei hoje proíbe que os animais sejam mortos, não só no estado de São Paulo, outros estados acabaram copiando, e já está indo para o seu 17º estado, e assim conseguimos salvar a vida de milhares e milhares de animais que não podem se defender, não têm voz, e não têm a quem recorrer”, diz o Deputado.

Feliciano Filho também é autor da lei 15.316, de 2014, que proíbe a utilização de animais para desenvolvimento, experimento e teste de produtos cosméticos e de higiene pessoal.

Mundo Cão estreou na última sexta-feira, dia 17 de março, e os críticos parecem olhar com bons olhos para a produção brasileira. Nos parágrafos abaixo, listamos algumas das críticas, veiculadas pelos principais sites de cinema, veja a opinião dos especialistas.

Pipoca Moderna: Apesar dos desempenhos, fica a impressão de que o filme poderia resultar bem melhor, especialmente após mostrar situações capazes de deixar o espectador paralisado. De todo modo, trata-se de um trabalho eficiente, preocupado em amarrar os menores detalhes que servirão para a conclusão de sua trama. Leia a crítica completa!

Adoro Cinema: Os momentos de intimidade entre Santana e Esteves são bem executados, como na cena em que conversam sobre a filha que já cresceu e agora começa a se interessar em sair na noite. A trilha sonora é um dos destaques da produção, que peca no trabalho de montagem, utilizando-se de transições pouco originais e nada pensadas. Leia a crítica completa!

Omelete: Nenê, vivido por Lázaro, também alcança tridimensionalidade, demonstrando afeições em meio à sua postura rude. É, portanto, um filme sólido, que consolida a trajetória autoral de Jorge e sua parceria com Lusa em diálogos que traduzem brutalidade, inquietação e o senso de revanche. Leia a crítica completa!

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