Ocupação Rio Diversidade, no Sesc Santana

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Foto: Ricardo Brajterman

Depois de duas temporadas de sucesso no Rio de Janeiro, a OCUPAÇÃO RIO DIVERSIDADE desembarca em São Paulo. O espetáculo formado por quatro peças curtas (20 minutos cada) estreia dia 19 de maio, sexta-feira, às 21 horas, no Sesc Santana e é conduzido pela drag queen Magenta Dawning, mestre de cerimônias que, além de abrir e encerrar a noite, apresenta números musicais durante os intervalos.

A ocupação “Rio Diversidade” apresenta os solos Genderless – Um Corpo Fora da Lei (texto Marcia Zanelatto, direção de Guilherme Leme Garcia e atuação de Larissa Bracher), Como Deixar de Ser (texto Daniela Pereira de Carvalho, direção de Renato Carrera e atuação de Kelzy Ecard), A Noite em Claro (texto Joaquim Vicente, direção de Cesar Augusto e atuação de Thadeu Matos) e Flor Carnívora (texto Jô Bilac, direção de Ivan Sugahara e atuação de Adassa Martins).

Em 2013, Marcia Zanelatto, idealizadora do projeto, esteve em Londres para uma mostra de dramaturgia brasileira, aRedLikeEmbers, no Theatre503. Lá, pôde constatar a eficácia da peça curta, formato até então pouco explorado no Brasil, e do evento temático como propulsor de novas dramaturgias, o que serviu de inspiração para montar uma ocupação LGBTQ. No início do mês de maio os textos – selecionados para representar a América do Sul – foram apresentados em uma leitura pública em Nova York, como parte da programação do Pen World Voices: Internacional Play Festival, um dos festivais literários mais importantes da atualidade.

Texto de Marcia Zanelatto com direção Guilherme Leme Garcia e atuação de Larissa Bracher, Genderless – Um Corpo Fora da Lei é inspirado na história real de Norrie May-Welby que, em 2010, depois de travar uma luta contra o Estado da Austrália, se tornou a primeira pessoa do mundo a ser reconhecida como “sem gênero específico” (genderless). A partir do fato, a peça reflete poeticamente sobre os gêneros masculino e feminino e os conflitos entre as identidades sexuais e as estruturas sociais.

Como Deixar de Ser tem texto de Daniela Pereira de Carvalho e direção de Renato Carrera. Na montagem, uma mulher de meia idade (Kelzy Ecard) está presa dentro de um “armário-sala”, herança da mãe, simbolizando sua prisão interna. Durante 20 minutos de exasperação, ela divide com a plateia o peso de não ter a coragem de assumir quem é verdadeiramente, revelando seus pensamentos e desejos mais profundos.

Já o texto de Joaquim Vicente A Noite em Claro tem direção de Cesar Augusto e atuação de Thadeu Matos. O autor Joaquim Vicente lembra que ainda estava sob o impacto do assassinato do diretor teatral Luiz Antonio Martinez Correa nos anos 1980 quando, numa manhã, um amigo e escritor famoso chegou pouco antes de amanhecer à sua casa e contou que tinha passado “a noite em claro” com um assassino que talvez fosse o mesmo procurado pela morte de Luiz Antonio. O contundente e verídico relato foi transformado em peça.

A última montagem leva assinatura de Jô Bilac na dramaturgia. Com direção de Ivan Sugahara e atuação de Adassa Martins (indicada ao Prêmio Shell pela sua atuação em Se Eu Fosse Iracema), Flor Carnívora aborda uma imaginária sociedade vegetal, onde a plantação de soja quer dar um golpe monocultural, enquanto as demais plantas se insurgem em defesa da pluralidade. Em plenária, a flor carnívora afirma o hermafroditismo das plantas, sua indefinição de gênero, sua intersexualidade, e protesta contra a colonização organizadora do homem, que procura catalogar e normatizar o que a natureza criou diverso. Um ato de liberdade por um mundo menos transgênico e mais transgênero.

Ingressos – R$ 30,00 (inteira); R$ 15,00 (meia: estudante, servidor de escola pública, +60 anos, aposentado e pessoa com deficiência); R$ 9,00 (trabalhador no comércio de bens, serviços e turismo credenciado no Sesc e dependentes).

*Dia 20 de maio, sábado – ingressos gratuitos (distribuição a partir das 16 horas na bilheteria da unidade).
**Dia 28 de maio, domingo – apresentação com serviços de audiodescrição e tradução em libras.

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