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Musical ‘Renato Russo’ não é show com músicas bonitinhas da legião

O musical mostra a personalidade bipolar e exagerada de Renato Russo, o uso excessívo de drogas e álcool, as festas e os momentos de solidão do músico

Fui assistir ao espetáculo ‘Renato Russo – O Musical’, em cartaz no Theatro NET São Paulo. Estava ansioso, com muita expectativa, já que sou fã da banda Legião Urbana e das músicas de Renato. Se for pra guardar apenas uma coisa desta resenha que escrevo, guarde o seguinte: “Não é um espetáculo de músicas bonitinhas, para ver e curtir. É um espetáculo para compreender, absorver e refletir.”

Renato Russo – O Musical – Resenha

É um musical diferente. Não há enormes orquestras, nem interação entre personagens. Há um monólogo de quase duas horas, ao qual o ator Bruce Gomlevsky – que vive o roqueiro Renato Russo – se entrega de corpo e alma.

Outro fator que merece destaque é o clima do ambiente que faz com que o espectador se sinta parte da história. Por vezes esqueci que estava assistindo a uma peça de teatro. A dramaturgia de Daniela Pereira de Carvalho traz à tona um drama digno de ‘teatro raiz’, levando em conta as falas, os trejeitos e a forma como os objetos do palco são tratados e como Bruce interage com eles.

O cenário de Bel Lobo e Bob Neri, misturado às luzes de Wagner Pinto, nos levam de volta à época da juventude Punk. Hora estamos na poltrona do teatro, hora num pocket show alternativo de Renato Russo.

A Arte Profana

Claro, há uma banda! Quanto ao som, sem comentários. Impecável. Os quatro integrantes da banda Arte Profana ficam ‘dentro de um telão’ enorme montado no palco. A tela é feita de uma rede bem fininha, sobre a qual há projeções. As projeções se misturam à imagem dos músicos, que tocam ao vivo toda a trilha sonora do espetáculo.

O que dizer do Bruce

Já conhecia o Bruce de outros trabalhos. Já o vi na televisão e já o ouvi cantar algumas vezes. O show começa com uma música, e confesso que assim que Bruce entrou cantando fiquei tentando comparar sua voz à de Renato. Julguei-o um pouco! Não deveria.

Em seguida, o aplaudi de pé. Não é qualquer ator que entretém o público por duas horas, falando sozinho. Ele trouxe Renato Russo de volta à vida, por meio de sua interpretação e das canções inesquecíveis e atemporais.

Músicas bonitinhas?

Imagino que quem assistiu à peça tenha sentido falta das ‘músicas bonitinhas’ da Legião Urbana. Acontece que este não é um espetáculo de músicas bonitinhas. A peça é voltada ao drama de Renato Russo e em como ele interagia com o mundo e com ele mesmo.

O texto narra sua personalidade um tanto bipolar e exagerada, o uso excessívo de drogas e álcool, as festas e a solidão do músico que, às vezes estava deprimido e achava que ia morrer, e às vezes respirava fundo estava pronto para encarar o mundo.

Homenagem singela

O texto cita importantes personagens ligados à vida de Renato Russo, como os músicos Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá, seu filho Giuliano Manfredini e seu namorado Scott. O musical faz ainda referência a uma passagem pouco conhecida da vida de Renato, momento em que o músico ficou sem poder andar e precisou utilizar uma cadeira de rodas, por causa de uma enfermidade nas pernas.

O musical é um sucesso

Após 12 anos em cartaz o musical ‘Renato Russo’ ainda lota o teatro. A peça está de volta a São Paulo, em cartaz no Theatro NET SP, onde ficará até o dia 25 de fevereiro. Neste tempo o espetáculo circulou pelo país. Já foi visto em mais de 40 cidades, por cerca de 300 mil pessoas.

Exposição ‘Renato Russo’ no MIS

Para assistir à peça no Theatro NET será necessário desembolsar entre R$ 50 e R$ 120. A boa notícia é que o ingresso do espetáculo dá direito a 50% de desconto na compra do ingresso para ver a exposição ‘Renato Russo’, em cartaz no MIS – Museu da Imagem e do Som de São Paulo.

Redação