Pânico é banido da Comic Con, em SP, após repórter constranger cosplayer


Em nota oficial, divulgada na tarde desta segunda, 17 de novembro, a organização da CCXP condenou a atitude dos repórteres do Pânico, e os baniu do evento




O site Omelete, uma das entidades organizadoras da CCXP – Comic Con Experience, a maior convenção de cultura pop da América Latina, publicou hoje, 07 de dezembro, uma nota oficial de repúdio ao Pânico na Band, após um repórter do programa lamber uma das visitantes da feira. A equipe do programa foi expulsa da edição 2015 da convenção e banida, por data indeterminada, dos futuros eventos da organização.

Aline Mineiro e Lucas Selfie foram os repórteres responsáveis pela cobertura da feira. Durante uma entrevista, Lucas lambeu uma Cosplayer, que reagiu imediatamente, mostrando-se indignada. “Ah não gente, não faz isso. Isso não é engraçado!”, completou a participante da feira. Assista ao vídeo do ocorrido:

Abaixo, na íntegra, você pode ler a nota de repúdio publicada pelo site Omelete na tarde desta segunda-feira, 17.

Assédio e desrespeito não serão aceitos

Na CCXP – Comic Con Experience, todas as pessoas são bem-vindas e incentivadas, sem preconceitos, a ser quem são – ou quem desejam ser. É um ambiente harmonioso que defendemos, um lugar onde cosplayers, nerds, gamers, cinéfilos, leitores de quadrinhos e simples curiosos convivem com respeito. Numa convenção de cultura pop, o contrato social que sonhamos para nós – em que toda diferença é aceita e celebrada – torna-se realidade.

É com tristeza e um sentimento de desgosto, então, que assistimos à maneira como o programa Pânico na Band, incapaz de lidar com o diferente, traz para dentro da CCXP seus preconceitos de gênero e seu franco desrespeito, entrevistando cosplayers com grosseria – chegando a lamber uma visitante. Depois desse incidente lamentável o Pânico na Band foi banido da CCXP 2015 e de todas as atividades organizadas a partir de hoje.

Não se trata aqui de discutir limites de humor. A cobertura do Pânico na Band da CCXP 2014, inclusive, foi muito bem-humorada e eles foram credenciados para a nova edição dentro desse espírito. No entanto, assédios moral e sexual são temas seríssimos e preocupações constantes em convenções de cultura pop no mundo inteiro – assim como fora delas. As atitudes do Pânico na Band dentro da CCXP representam um retrocesso que não podemos aceitar. Ninguém pode, não mais.

O senso de humor é um componente fundamental do cosplay. Nesta segunda-feira a web ainda se diverte com as imagens dos trajes mais inventivos que passaram pelos quatro dias da convenção, do meme de Pulp Fiction às crianças vestidas de Coringa. Mas o cosplay também é uma forma de expressão que ajuda muita gente a fantasiar, com segurança, com aquilo que deseja para si. Pessoas aderem ao cosplay para se tornarem mais fortes, usando a interpretação e a confecção de seus trajes para lutar contra quadros de depressão, para manifestar sua sexualidade, para trabalhar sua auto-estima, como um super-herói.

O Omelete, que integra a organização da CCXP, repudia com indignação a postura inaceitável do Pânico na Band porque ela desmancha esse encanto do qual depende qualquer convenção de cultura pop. Mas os cosplayers, os nerds, os gamers, os cinéfilos e os leitores de quadrinhos são maiores, mais unidos e mais fortes. E um dia o contrato social de tolerância que estabelecemos dentro dessas convenções vai se espalhar porta afora, como um coro.

A participante da Comic Con Experience, abordada pelo repórter, desabafou em um perfil social. Veja abaixo a publicação da visitante:

Venho aqui depois de um dia ultra cansativo na CCXP, INFELIZMENTE fazendo uma postagem de extremo desgosto. Mas não é…

Posted by Myo Tsubasa on Sábado, 5 de dezembro de 2015

 

 

Nota da redação do Vá de Cultura: Infelizmente, este tipo de acontecimento nos faz pensar se há, ou se deve existir um limite para o humor. Talvez o grande erro de alguns profissionais de comunicação seja o de confundir liberdade de expressão com liberdade de opressão e, no fim, refletindo sobre o assunto, talvez toda esse aprofundamento ideológico pudesse ser substituído simplesmente pelo respeito ou pelo bom e velho bom senso.


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