Em entrevista ao Vá de Cultura Saci conta porque cortou sua perna


Para comemorar este Dia do Saci, o próprio Saci nos recebeu para uma entrevista, onde contou histórias e falou sobre seus planos urbanos para o futuro




Hoje, dia 31 de outubro, dia de Helloween, também é comemorado o dia do Saci. Na verdade poderia ser ao contrário. Eu poderia começar a matéria dizendo: Hoje, dia 31 de outubro, dia do Saci, comemora-se também o Dia das Bruxas, ou Helloween.

O Saci dispensa maiores apresentações, se você teve contato com as obras de Monteiro Lobato sabe até um pouco sobre as travessuras que essa figura aprontava lá pelas bandas do Sítio do Pica-Pau Amarelo. Desde 2004, com o objetivo de valorizar a cultura popular brasileira, foi instituído o Dia do Saci, comemorado no dia 31 de outubro. A data foi escolhida em contraposição ao Dia das Bruxas, como conta Mouzar Benedito, da Sociedade dos Observadores de Saci.

Estava havendo uma invasão cultural representada pelo halloween que não tem nada a ver com a cultura brasileira”, exclama Benedito.

O Vá de cultura conseguiu uma entrevista exclusiva com ele que é uma das mais importantes figuras do Folclore Brasileiro, o Saci Pererê, que nos recebeu hoje pela manhã, no Imaginário, sede oficial da imaginação histórica e cultural.

Vá de Cultura: Primeiramente, parabéns pelo seu dia e obrigado por falar com a gente.

Saci: Imagina, eu é que agradeço pelo espaço. Estou sempre disposto a falar com as pessoas. Até ia te cumprimentar mas minhas mãos estão cheias com a brasa do pito.

Vá de Cultura: Você andou sumido, o que houve?

Saci: Na verdade, nos últimos tempos, fui meio que expulso do imaginário infantil. Antes eu andava pelas escolas, costumava aparecer nos livros, mas de um tempo pra cá a galera meio que deu uma esquecida, aí acabei ficando um pouco de lado.

Vá de Cultura: Poxa, que situação chata. Mas e na casa das pessoas, você também não tem ido?

Saci: Então, eu até ia, mas agora as crianças preferem brincar com a Pepa Pig e com a Galinha Pintadinha, e de vez em quando, se não me engano, o Homem Aranha e o Batman também aparecem por lá, aí como eu não tinha muito o que fazer neste contexto, acabei não indo mais.

Vá de Cultura: Saci, fala pra gente, hoje é seu dia, alguma comemoração em vista?

Saci: Nada por hora. Eu cheguei a cogitar fazer festa nos outros anos, mas aí o pessoal já tinha compromisso por causa do Helloween e ninguém aparecia, então, este ano acho não vou fazer festa não.

Vá de Cultura: Agora uma pergunta mais direta, pode nos dizer como foi que perdeu sua perna?

Saci: Sim. Foi num acidente!

Vá de Cultura: Sério? Acidente de carro, moto?

Saci: Na verdade foi num acidente histórico. Você deve saber que há um tempo os negros foram escravizados, e os homens brancos os mantinham presos por grilhões, no meu caso, um grilhão com corrente preso ao tornozelo. Aí um belo dia eu falei “Ah! Quer saber? Chega dessa palhaçada”, e resolvi cortar a perna pra poder me libertar.

Vá de Cultura: Nossa, que história emocionante! E essa carapuça vermelha?

Saci: Ah, então! Antigamente, quando não sabiam muito bem quem eram os negros livres e os quais ainda eram mantidos escravos, os portugueses costumavam marcar os libertos pondo-lhes um gorro vermelho. Depois me acostumei a usar, até combina com meu estilo. Risos.

Vá de Cultura: E hoje em dia, o que anda fazendo?

Saci: De vez em quando apareço em São Paulo. Tô sempre nos muros, no pilar dos viadutos, de vez em quando estou nas vielas dos bairros. Outro dia fui pescar no Rio Tietê, mas nem peguei peixe, acho que não era um dia bom para praticar pesca.

Vá de Cultura: E tem algum projeto em vista pro futuro?

Saci: Depende muito do incentivo que vou ter daqui pra frente. É complicado trabalhar por aqui, mas como me urbanizei talvez eu continue por aí, nas ruas de São Paulo, interagindo com as pessoas.

Vá de Cultura: Saci, nós gostaríamos de agradecer por este papo e parabenizar novamente pelo seu dia

Saci: Imagina, eu até gostaria de ficar mais para conversar, mas preciso dar um ‘pulo’ ali no centro. O Prefeito e o Governador tinham me dito pra passar lá hoje que eles iam resolver uns problemas de mobilidade urbana, quero ver se já está tudo ok. Você sabe, sobre esses assuntos a gente tem que ficar em cima, senão nada funciona.

Após essa entrevista, o Saci foi para o Centro de São Paulo, onde foi visto e fotografado por dezenas de cidadãos. Você pode ver as fotos na matéria: Saci é visto pelas ruas de São Paulo. Cidadãos relatam aparições desde 2009.


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