Duas exposições imperdíveis e gratuitas abrem este mês na Galeria Mezanino

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A partir de 24 de novembro, a Galeria Mezanino apresenta duas exposições: “Desconstruções em tempos líquidos“, primeira individual do austríaco Martin Brausewetter e “Um verão em Marianowo“, resultado da residência artística na Polônia, dos artistas Danielle Noronha e Mauricio Parra.

O trabalho de Martin Brausewetter funda-se na confrontação de dois elementos essenciais: a técnica por ele adotada e os motivos sugeridos pelas composições e formas abstratas de suas obras. O artista realiza suas pinturas em têmpera de ovo sobre tela, onde o processo de raspagem da matéria cria sugestões de paisagens desconstruídas,exprimindo a condição transitória das experiências de tempo e espaço no mundo contemporâneo, onde não há constância. As obras de Brausewetter expressam a instabilidade, conectando-se com as abordagens do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, que define os tempos atuais com a modernidade líquida, num mundo cada vez mais dinâmico, fluido e veloz.

Seu trabalho diz muito sobre tal condição transitória, em duas instâncias. Na primeira, emerge da construção de composições de espaços dinâmicos, que aludem às novas teses da astrofísica, da física quântica, da antimatéria e do papel dos buracos negros em nosso sistema interplanetário. Numa segunda, diz respeito à diminuta experiência humana dentro desse universo.

Cerca de 20 trabalhos sobre tela e papel compõem “Desconstruções em tempos líquidos“, que tem curadoria assinada por Ana Magalhães e texto crítico de Ana Avelar.

Com curadoria de Renato De Cara, “Um verão em Marianowo” reúne pinturas em aquarela e óleo sobre linho, resultado da residência artística realizada por Danielle Noronha e Mauricio Parra, em julho deste ano, em Marianowo, cidade ao norte da Polônia. Durante quase um mês, a dupla conviveu com artistas dos mais variados países e culturas, e trabalhou na pintura de paisagens. Parra observou um lindo carvalho e, de diversos ângulos, registrou a árvore e as incidências de luzes em momentos distintos. Danielle documentou uma pedra e a tornou assunto de seu estudo, transformando o minério em poesia multicolorida.

As experiências dos dois artistas, hospedados no mais antigo monastério da Polônia, mesmo local da criação das obras que serão apresentadas, inspiraram novas linguagens transformando a mesma cena em diferentes paletas cromáticas.

Lidar com a paisagem, ainda mais sob uma luz que nos é tão diferente, uma vez que no verão o dia no hemisfério norte é mais longo, traz sempre, de alguma maneira, questões e relações novas”, explica Parra, que expõe dez óleos sobre linho em médio formato. De Danielle, uma grande aquarela se junta a outros vinte pequenos formatos.

Para saber mais sobre exposições de arte gratuitas em São Paulo curta a página do Vá de Cultura no Facebook clicando aqui. Abaixo separamos algumas galerias com obras dos artistas, e também um pequeno histórico sobre cada um deles.

Martin Brausewetter (Áustria, 1960) formou-se na Hochschule für Angewandte Kunst, em 1987. Desde 2009, mora e trabalha entre Viena e São Paulo. O trabalho de Martin lida com a constante construção e desconstrução do espaço, no sentido mais amplo do termo. Realizou algumas exposições entre elas, destacam-se as na Galeria Ferran Cano  (Palma de Mallorca, ES / 1989), Galerie Ariadne (Viena, AT / 1996) no Project Space Brooklyn (Nova York, EUA / 1997), Galerie Hohenlohe-Kalb,(Viena, AT / 1999, entre outras.

Danielle Noronha (São Paulo, 1979) formou-se em desenho industrial pela Universidade de Brasília. Com ampla pesquisa em aquarela, busca opô-la à tradição figurativa e minuciosa, chegando a utilizar brocha de parede em alguns trabalhos em contraposição ao traço delicado do pincel. Participou de três edições do SP Estampa; da exposição Grabados de Brasil (B.A., Argentina 2011). Em julho de 2013 participou da residência International Art Workshop em Gludsted, Dinamarca. Realizou sua primeira individual, Veículo de Viagem, na Galeria Mezanino em 2014.

Mauricio Parra (São Paulo, 1976) é formado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de Taubaté. Frequentou os ateliês de Rubens Matuck, Roberto Grassmann e o ateliê de gravura do Museu Lasar Segall. Participou da Bienal Internacional de Gravura de Alijó (PT / 2012). Já realizou três individuais na galeria Mezanino, a última, resultado de residência no International Art Workshop 2013, em Gludsted na Dinamarca.

O que é? Desconstruções em tempos líquidos e Um verão em Marianowo
Quanto é? 24 de novembro a 23 de dezembro
Que horas? 16h às 22h
Quanto custa? Vá de Graça
Onde é? Galeria Mezanino
Como chegar? Rua Cunha Gago, 208, São Paulo

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