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Heitor Villa-Lobos. Um resumo sobre o pai da música clássica brasileira

Heitor Villa-Lobos
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“Eu não uso o folclore, eu sou o folclore”. Disse Heitor Villa-Lobos, o homem do charuto, durante uma turnê na Europa.

Quando ouvimos a expressão gênios da música, quase imediatamente nos vem à cabeça os grandes compositores de música erudita da história mundial. Suas obras são tão marcantes que mesmo quem não tem profundo conhecimento de música clássica já ouviu pelo menos uma, ou no mínimo sabe os nomes de muitos destes músicos, como Chopin, Bach, Beethoven, Mozart, Schubert, e por aí vai.

O que poucos sabem é que, embora haja uma ligação mental quase que imediata entre a música erudita e a Europa, tivemos no Brasil grandes músicos considerados compositores de música clássica, e este estilo, embora no início trouxesse fortes características da musica europeia, sofreu influência das culturas regionalistas brasileiras, e teve grande influência na formação da música brasileira como um todo, principalmente da música contemporânea.

Heitor Villa-Lobos, pai da música clássica brasileira

É comum pensar em Villa-Lobos como o pai da música clássica brasileira. Muitos o consideram, inclusive, um dos gênios da música erudita. Para alguns especialistas, porém, o título mais adequado a Heitor Villa-Lobos seria o de pai da música contemporânea brasileira. É o que diz o músico brasileiro Mario Adnet, que lançou em 2012 o disco “Um Olhar Sobre Villa-Lobos”.

Sempre falam que Villa-Lobos era um compositor erudito. Não que eu ache que isso seja uma coisa ruim, porque erudito tem a ver com conhecimento. Mas ele adorava Cartola, Pixinguinha, João da Baiana, era fã do Tom Jobim, do Cláudio Santoro. Ele acompanhava o que estava acontecendo na música brasileira”, explica.

E esse amor de Villa-Lobos pelas características da música brasileira fez com que ele misturasse estilos peculiares às suas canções. São fragmentos da música e do folclore brasileiro, elementos indígenas e africanos. Uma mistura que é a cara do Brasil.

O Caçador

Para muitos especialistas, Heitor Villa-Lobos era um caçador de tendências. Ele procurava coisas, fragmentos e canções anônimas para se inspirar. Coisas brasileiras, regionais. A série Bachianas Brasileiras, talvez a mais famosa de sua obra, foi inspirada na música nordestina. Talvez por pesquisar tanto as características brasileiras, e colocá-las em seus trabalhos, Villa-Lobos tenha se tornado uma referência nacional.

Obra

Analisando a obra de Villa, podemos captar a estrutura da música erudita. Ele compôs música orquestral, música de câmara, canções para piano, música vocal e coral. Em todos os estilos, porém, manteve em evidência os traços da cultura brasileira. Em seus compilados de música de orquestra, por exemplo, além das Bachianas, Villa-Lobos escreveu uma série de choros. São seis arranjos inspirados nos grandes nomes do chorinho brasileiro, considerado o mais importante estilo de música urbana do final do século XIX.

Estilo

Por se tratar de um eclético ardente, como seus amigos o descreviam, fica quase impossível descrever Villa em um único estilo. É possível encontrar alguns recursos estilísticos em sua obra como combinações diferenciadas de instrumentos, arcadas bem puxadas nas cordas, uso de percussão popular e imitação de cantos de pássaros.

Outro fato que o torna tão difícil de decifrar é que Villa-Lobos nunca se apegou, defendeu, ou participou de movimentos. Era constantemente atacado pelos críticos da época, e por muito tempo foi desconhecido do público brasileiro.

Reconhecimento

Villa-Lobos não deu ouvidos às críticas. Manteve-se focado em seu trabalho e o fez como quis. Com o tempo, foi amplamente reconhecido nacional e internacionalmente.

Deus nos colocou dois ouvidos pelo seguinte: Quando a emoção é grande e que a gente ouve, ouve-se com os dois ouvidos. Quando ela não é muito grande, entre por um e sai pelo outro. Heitor Villa-Lobos, Rio de Janeiro, 1950.

Bachianas Brasileiras

Para finalizar este artigo, e apresentar Heitor Villa-Lobos de forma mais íntima a você, leitor, vou deixar aqui embaixo um vídeo com a série número 2 das Bachianas Brasileiras, interpretada pela Orquestra Sinfônica Brasileira, sob a regência do maestro Roberto Minczuk. Importante: Enquanto ouve, gostaria de convidá-lo a prestar atenção no arranjo da canção, e na orquestra, que enquanto toca o tema principal da música “O Trenzinho Caipira”, executa uma sonorização que simula o movimento do trem andando sobre os trilhos.

Luiz Pachella

Jornalista, especialista em marketing digital e pai da Luiza. Editor do site Vá de Cultura. Adora café, música e acredita que a comunicação é a chave para mudar o mundo.

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