Saiba tudo sobre Yolanda Mohalyi e suas lindas aquarelas

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A Dan Galeria lança livro definitivo sobre a carreira da artista e traz, a partir do dia 24 de outubro, grande mostra retrospectiva

A publicação do livro definitivo sobre a vida e a obra Yolanda Mohalyi, 36 anos depois de sua morte, representa a conclusão de um compromisso assumido pelo casal de amigos Jurgen e Bárbara Bartzsch de zelar pela obra da artista e divulgar o seu legado. Escrito pela historiadora Maria Alice Milliet, o livro contextualiza de forma concludente a obra de Yolanda e sua importância no cenário da arte contemporânea brasileira.

O lançamento do livro, no dia 24 de outubro, na Dan Galeria, será Yolanda Mohalyi – A grande viagem acompanhado de uma grande exposição retrospectiva sobre sua obra, com cerca de 50 trabalhos, de desenhos a aquarelas às grandes telas abstracionistas, a grande maioria de coleções particulares, onde o público poderá apreciar as diversas fases do trabalho da artista.

Um pouquinho de sua história

Nascida na Transilvânia, Hungria, Yolanda Léderer chegou ao País em 1931, para se casar com o compatriota Gabriel Mohalyi.  Encantada com a luz, as cores, e tocada com a simplicidade e humildade da gente do Brasil, começa a retratá-la em desenhos e aquarelas.

Em pouco tempo toma contato com os artistas e intelectuais que, de origem e formação europeias como ela, manifestavam a mesma sensibilidade aos temas sociais e sofrimento humano, ideário do expressionismo alemão. Por uma década frequenta o ateliê de Lasar Segall, e aproxima-se também de outros artistas e imagens com quem estabelece uma identificação. O profundo domínio da técnica e um trabalho constante e dedicado revelam uma exímia aquarelista.

Com a abertura da 1ª Bienal e a internacionalização da linguagem plástica, inicia-se no País o embate entre a figuração, com os temas sociais tão caros aos modernos, e a abstração, que propunha uma linguagem racionalista e universal trazida pela aspiração pioneira ao modernismo e reconstrução em seus países de origem. A premiação da escultura Unidade Tripartida de Max Bill nessa Bienal e atmosfera de otimismo dos “anos dourados” com suas promessas de desenvolvimento e modernidade contribuíram para  instigar ainda mais os artistas brasileiros que se identificavam com a arte concreta.

Tomada dessa influência, Yolanda começa a mostrar os primeiros traços de inquietação e transição em sua obra. Sem ainda abandonar as figuras humanas e a preocupação social que lhes eram tão caras, começa a experimentar novas técnicas e a simplificar as formas. É desta época a magnífica obra Pescadora, hoje na coleção Itaú, que mostra uma cena à beira-mar e traz ao fundo os primeiros registros da abstração.

Mas é uma viagem à Europa, em 1957, que lhe traz uma experiência decisiva para o futuro de sua obra: a visão dos afrescos de Piero de La Francesca na Basílica de São Francisco em Arezzo, Italia. Diante da magnitude da obra, Yolanda concluiu que era inútil insistir na representação figurativa, fosse dissecada e recomposta à moda do cubismo ou dramatizada sob a influência do expressionismo alemão.

No mundo todo, a arte começava a libertar-se da rigidez da geometria. Tendência que despontava na Europa, em resposta ao expressionismo abstrato praticado nos Estados Unidos que tinha Jackson Pollock como expoente, o informalismo, ou abstracionismo informal, alastra-se entre os artistas brasileiros e passa a dominar o trabalho de Yolanda em riquíssimas pinturas sobre o papel, com guache e nanquim, em uma paleta de cores rica e surpreendente.

Yolanda participou de 7 Bienais em São Paulo, e duas em Tóquio, e atraída pela liberdade que essa ascendente tendência em pintura propiciava, abandonou definitivamente os anos de uma pintura social  e de representação analógica para aderir ao livre exercício da subjetividade.  Ao lado de artistas como Mabe, Iberê, Tomie Ohtake e Arcangelo Ianelli, sua pintura, em que retomou o uso do óleo e tentou  texturas experimentais em telas cada vez maiores, passou a ter uma grande aceitação no nascente mercado de arte brasileiro.

A artista teve ainda uma sala especial na 8ª Bienal, distinção reservada aos premiados da edição anterior, e voltou a participar da 14ª edição da mostra, na Sala Brasília.  Entre estas, teve uma significativa atuação no exterior, com exposições no México e nos Estados Unidos. Em 1976, teve sua primeira grande retrospectiva, no MAM de São Paulo, e em 1982 e 1984 duas grandes exposições na DAN Galeria. Mais recentemente, teve uma retrospectiva no MON em Curitiba, em 2008 e outra na Pinacoteca do Estado de  São Paulo, em 2009.

YOLANDA MOHALYI – A grande viagem

Vernissage: 24 de outubro de 2015, das 10h às 14h
Período de exposição: de 24 de outubro a 24 de novembro de 2015
Horário: De segunda a sexta das 10h às 18h, sábado das 10h às 13h
Local: Rua Estados Unidos, 1638 – Jardim Paulista
Telefone: (11) 3083- 4600
Entrada: Gratuita

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