Clarice Lispector e Eu, O Mundo Não é Chato, no Sesc

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Foto: Dalton Valerio

O Sesc Pinheiros recebe a estreia de “Clarice Lispector e Eu – O Mundo Não é Chato”, em que Rita Elmôr dá vida à escritora Clarice Lispector. As apresentações acontecem de 22 de junho a 8 de julho, de quinta-feira a sábado, às 20h30, no Auditório. Com direção de Rubens Camelo, a peça chega a São Paulo depois de duas temporadas no Rio de Janeiro.

No espetáculo, Rita Elmôr – que também assina a dramaturgia – dialoga com a faceta mais solar de Clarice. Para compor a narrativa, a artista selecionou 36 recortes de textos da escritora croata naturalizada brasileira e misturou-os a textos próprios. Com humor e leveza, o enredo une as vidas de Rita e Clarice, mostrando como a escritora se relaciona com o mundo ao seu redor e com o outro, deixando transparecer a timidez da atriz e da escritora e o “desencaixe” vivido por ambas, um sentimento de não adequação nas relações sociais.

Eu me encontrei com a solidão dela, reconheci o desencaixe nela e consegui olhar para o meu. Só fui me dar conta disso na construção dessa peça e esse se tornou o tema da peça: o desencaixe. Mas eu falo sobre isso com humor. Achei que seria um tema apropriado para dar relevância ao humor de Clarice”, conta Rita sobre sua ‘relação’ com Clarice.

Como uma conversa entre amigos, o espetáculo convida o público a refletir sobre diversas situações do cotidiano. Além deste desconforto nas situações sociais, a timidez e o amor estão presentes em todas as situações e personagens vividos pela atriz. Os textos afirmam a vida e auxiliam na reflexão sobre maneiras mais inteligentes, criativas e harmônicas de se viver. O olhar político de Clarice, que está afinado com acontecimentos sociais contemporâneos, também aparece com muita força.

“Clarice Lispector e Eu” não é o primeiro contato dramatúrgico de Rita com a escritora. A atriz fez sua estreia na profissão há dezoito anos na peça “Que Mistérios tem Clarice”, que lhe rendeu o Prêmio Shell por sua atuação.

A linguagem da peça é uma metáfora do que a vida fez com a nossa imagem, nós duas viramos a mesma pessoa em diversos meios de comunicação, capas de revistas, jornais, edições de livros, não só no Brasil como no mundo inteiro e nas redes sociais. Aos poucos a Clarice foi ganhando o meu rosto e eu fui ganhando o rosto dela. Por isso, nessa segunda peça resolvi subir ao palco emprestando a minha imagem e as minhas palavras a ela e pegando emprestado a imagem e as palavras dela, sem explicar para o público quem está ali. Levei para o palco o que a vida fez com a gente”, conta a atriz.

*Classificação indicativa: 12 anos

Ingressos: R$ 25 (inteira); R$ 12,50 (meia: estudante, servidor de escola pública, + 60 anos, aposentados e pessoas com deficiência). R$ 7,50 (credencial plena: trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo matriculado no Sesc e dependentes).

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