Maioria dos críticos do MAM na web são homens brancos da classe média

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Wagner Schwartz (nu)
Performance de Wagner Schwartz (nu), em 'La Bête' ('O Bicho') em Curitiba.

Homens casados, brancos e ligados à direita foram maioria nas críticas contra o Museu de Arte Moderna de São Paulo – MAM, segundo pesquisa realizada pela empresa Social QI, que tem em sua carteira de clientes o prefeito de São Paulo, João Doria.

A pesquisa apontou que cerca de 150 mil pessoas comentaram o assunto nas redes sociais nos primeiros dias após a apresentação do artista Wagner Schwartz. Deste total, 66% se posicionaram contra a performance e o museu, 18% defenderam o MAM e 16% foram neutros.

Resultados da pesquisa

Os resultados mostram ainda que a maioria dos críticos pertence à classe média, têm entre 35 e 44 anos, concluíram o ensino superior e são religiosos, conforme mostra a tabela abaixo:

  • 62% são homens
  • 40% são evangélicos
  • 82% dizem ser de direita
  • 60% são de São Paulo

Fonte: Mônica Bergamo, Folha

Dados do Vá de Cultura

Na última segunda-feira, o Vá de Cultura publicou uma enquete sobre o assunto. A pesquisa trazia uma foto da apresentação de Schwartz, seguida da pergunta: “Você acha que deve existir limites para a arte?“. 68% dos participantes respondeu que não, 32% que sim. Para fins de comparação, disponibilizamos abaixo o perfil do público que participou da enquete:

  • 57% são mulheres
  • 43% são homens
  • 92% são de São Paulo
  • 85% dizem ser de esquerda
  • Têm entre 25 e 34 anos

Entenda o caso

A apresentação polêmica aconteceu no dia 26 de setembro, terça, durante a abertura do 35º Panorama da Arte Brasileira, realizado no Museu de Arte Moderna de São Paulo. Na performance chamada ‘La Bête‘, baseada na obra de Lygia Clark, o artista Wagner Schwartz se posiciona completamente nu sobre um tatame e, como um objeto, pode ser manipulado pelo público.

A polêmica

A polêmica começou quando uma menina, acompanhada de uma mulher adulta, foi incentivada a participar da performance, tocando na canela do artista e, depois, engatinhando ao lado dele.

Imediatamente os vídeos repercutiram nas redes sociais, causando polêmica e discussões afloradas entre os internautas. A maioria condenou a encenação e disparou acusações de incentivo à pedofilia contra o MAM.

Resposta do MAM

A resposta do museu veio no dia seguinte. Em nota oficial, a instituição diz que tomou todos os cuidados necessários com a sinalização e instrução sobre o teor da apresentação. O MAM informou também que a criança entrou na sala onde a apresentação foi realizada acompanhada de um responsável, e que ele estava ciente do conteúdo em questão.

Outros casos recentes

No mês passado outra exposição foi cancelada. A ‘Queermuseu‘, que estava em cartaz no Santander Cultural, em Porto Alegre, foi interrompida após fortes críticas feitas pelos internautas nas redes sociais.

A alegação era de que algumas obras faziam apologia à pedofilia e à zoofilia (sexo entre humanos e animais), o que gerou a onda de revolta.

Essa mesa exposição seguiria para o Rio de Janeiro, mas ontem, 4/10, o prefeito do Rio, Marcelo Crivella vetou a mostra. Em entrevista ao jornal O Globo, em tom de deboche, o prefeito disse que o povo do Rio de Janeiro não tem o menor interesse neste tipo de arte.

Vi no jornal que a exposição seria no Mar (referindo-se ao museu de arte do rio). só se for no fundo do mar. O população do rio de janeiro não tem o menor interesse em exposições que promovam zoofilia e pedofilia.

Como se posicionam os museus?

Em todos os casos polêmicos, as instituições se posicionaram em favor da arte e da liberdade de expressão. No caso do MAM, outros museus apoiaram a instituição. A alegação dos apoiadores, de modo geral, é que os museus devem ceder seus espaços para as mostras, independentemente do teor de cada uma, cabendo ao público decidir se quer ir ou não.

Possíveis alternativas

Em um vídeo publicado em seu perfil oficial do Facebook, o Secretário Municipal de Cultura de São Paulo, André Sturm, se posicionou a favor da liberdade artística, e disse que uma das alternativas possíveis seria a instituição de classificação indicativa nas exposições.

Acho que a gente pode encontrar maneiras de informar melhor a sociedade sobre as exposições. Uma ideia que eu já ouvi é aplicar classificação indicativa às exposições, que no Brasil já é aplicada em outras artes, como quando você vai ao cinema. Não é censura, é indicação. Indicação favorece para que os responsáveis possam lidar melhor com o que eles consideram adequado para seus filhos, e crianças e jovens que estejam com eles.

Sua opinião

E você leitor, qual a sua opinião sobre o assunto? Você acha que deve haver um limite para a arte? Acha que não? Acha que medidas de classificação indicativa poderiam resolver este tipo de problema? Deixe um comentário com a sua opinião aqui no post.

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