A magia das fotografias noturnas, exposição fotográfica de cair o queixo

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Antigamente algumas tribos indígenas acreditavam que as estrelas na verdade eram perfurações no céu. Por meio destes buracos era possível vislumbrar que, além do planeta Terra, haveria outros mundos iluminados. As fotografias de Betina Samaia (São Paulo, 1964), expostas em caixas-de-luz nesta mostra, nos fazem perceber que há outros mundos possíveis: entre o visível e o de fato existente há uma zona nebulosa que não apreendemos.

A sua série de fotos noturnas, em exposição no MIS – Museu de Imagem e do Som de São Paulo a partir de 26 de outubro, compreende cerca de 20 imagens realizadas à noite, em locais como  Rio de Janeiro, Veneza, Monument Valley, Butão, São Paulo, Birmânia, Atacama, Nova York.  Alguns desses trabalhos já foram expostos no Salão de Fotografia “La Quatrième Image”, em Paris, no ano passado.

Formada em Psicologia, Betina Samaia encontrou na fotografia uma forma de expressão para procurar emergir aquilo que normalmente não se revela aos olhos, mas que existe no universo, na nossa memória e nosso imaginário individual e coletivo. Nas imagens feitas com poucas condições de luz natural, a artista utiliza uma lanterna para iluminar determinado volume que pretende fazer emergir ao olhar o que não está evidente.

O uso da lanterna estabelece o encontro entre a fotografia e a pintura – no qual o pincel é a lanterna e o movimento da artista, as pinceladas – compondo obras que dialogam não apenas com o olhar,  mas também com o campo sensorial, conectando a teoria (psicologia) com a arte (fotografia).

Eu me interesso pelos aspectos sígnicos de maior densidade informacional que a fotografia nos possibilita. Gosto da fotografia não como uma forma redutora, de cristalizar a realidade, mas como um elemento propulsor da imaginação. Quero decifrar as imagens arquetípicas de uma forma íntima, afirma a artista.”

O curador da exposição, Eder Chiodetto, explica:

Por meio do uso da técnica de longas exposições em determinadas situações de luminosidade noturna, a fotógrafa consegue resultados surpreendentes: a luz artificial das cidades entram em perfeita sintonia com a luminescência emitida pelas estrelas, asteroides e tantos outros corpos celestes. O espaço sideral, que em grande parte só se revela por meio de aparatos ópticos complexos, surge nas imagens de Betina criando uma tensão poética comovente, de rara beleza… Tanto nos locais em que a ação do homem transformou sobremaneira a paisagem, quanto nos lugares onde a natureza surge mais vigorosamente, o ‘céu que nos protege’ está sempre resplandecente com a luz que as estrelas, mesmo apagadas, seguem emitindo como mensagens que nos chegam após serem propagadas a milhares de anos luz.”

SERVIÇO

Evento: Azul, por Betina Samaia;
Data: 27 de outubro a 10 de janeiro;
Local: MIS – Museu da Imagem e do Som de São Paulo;
Horários: Das 12h às 21h;
Endereço: Avenida Europa, 158, Jardim Europa, São Paulo – SP;
Preço: Vá de Graça.

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