Documentário mostra a reconstrução do Jardim do Éden do Iraque

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Cineasta David Johnson acompanha o projeto do engenheiro e ambientalista Azzam Alwash, que tenta revitalizar um dos habitat com a maior biodiversidade do mundo, devastado por décadas de conflitos.

A imagem que se tem do Iraque é a de um local devastado pela guerra, mas o país já abrigou um dos habitat mais ricos em biodiversidade do planeta, os Pântanos da Mesopotâmia, onde, segundo algumas crenças, ficava o “Jardim do Éden” retratado na Bíblia. A área foi devastada por anos de conflitos políticos e bélicos e, para restaurá-la, o engenheiro e ambientalista iraquiano Azzam Alwash iniciou um ambicioso projeto de engenharia, retratado pelo cineasta David Johnson no documentário Iraq’s Garden of Eden, atração inédita do BBC Earth na terça-feira, 22 de dezembro, às 20 horas, com reapresentação na quarta-feira, 23 de dezembro, às 14h15.

O documentário mostra que os Pântanos da Mesopotâmia eram ocupados, principalmente, por tribos árabes. Para enfraquecê-las e obrigá-las a migrar, Saddam Hussein fez obras de drenagem, principalmente nos anos 1980, o que matou plantas, afastou animais e fez do local um grande deserto. Alwash conta que vivia próximo à cidade de Nasiriyah, um importante reduto da região, e, ao voltar para o Iraque após e deposição de Saddam, em 2003, sentiu-se triste por encontrar uma devastação gigantesca, com a área natural reduzida a 10% do que era antes. Por isto, decidiu criar um plano para recuperar a vida selvagem, baseado principalmente no retorno das águas para o curso original.

A violência é uma das barreiras para o projeto. Em vários momentos do documentário, os trabalhos são acompanhados por equipes de segurança particular. Os profissionais de filmagem passaram por treinamentos para trabalhar em regiões de conflito e enfrentaram problemas e desentendimentos com a população de um vilarejo. Para Alwash, estes problemas serão solucionados em breve: “A reconstrução dos pântanos simboliza a restauração do próprio Iraque”. “Damos dois passos para frente e um para trás, mas o que importa é que estamos no caminho certo”, afirma. “Se pudemos restaurar este ambiente, o Iraque poderá ser restaurado também”.

Até o momento, os resultados foram surpreendentes. Com poucos meses, alguns vegetais começaram a crescer novamente e, pouco depois, a vida animal voltou à região. Peixes, anfíbios e aves reapareceram, incluindo espécies existentes apenas no Oriente Médio.

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