Dia da Consciência Negra ganha programação especial no Canal Curta!

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Dedicado às artes, cultura e humanidades, o Canal Curta! exibe nesta sexta, 20, duas atrações que trazem reflexões sobre a história da população negra e a maneira como a sociedade impacta em sua trajetória. Doutora em Direito Constitucional e Teoria do Estado e professora da PUC-Rio, Thula Pires participou de entrevista para a faixa Curta! Academia, que será exibida nos intervalos da programação. No bate-papo, ela discute a posição do negro no Brasil e afirma que a questão racista vai muito além da cor da pele ou de uma data comemorativa:

Quando você vai pro plano de cidade, você percebe que existe um determinado grupamento populacional que sofre de maneira desproporcional também os danos ambientais e os riscos ambientais. Os lixões estão aonde? Por que o lixão não está aqui na Ataulfo? Porque que pra cá vem o metrô e não o lixão? E por que o lixão vai pra Gramacho e não o metrô? … A questão é que o mês da Consciência Negra acaba sendo o momento em que se fala de negro no Brasil. O que é um problema. A gente não tem que falar de negro no Brasil em maio e em novembro”.

Para ela, as datas são simbólicas e têm sua dimensão, mas é preciso que a questão seja corrigida desde a raiz:

As escolas, quando muito, usam o 20 de novembro pra fazer uma ou outra atividade. Quando na verdade a intenção não é essa, a intenção é que haja uma transversalidade dessas questões porque essa não é uma questão do negro. Se você está falando de racismo, de sexismo, de homofobia, você não tá falando de uma questão que afeta a grupos, mas você está falando de uma sociedade doente. Uma sociedade que ainda mantém racismo e homofobia é uma sociedade que precisa dar conta da maneira pela qual ela lida com o outro e tentar resolver. Isso é um problema de todo mundo. Todo mundo tem que dar conta dos seus privilégios e todo mundo tem algum tipo de privilégio para dar conta, assumir e se comprometer com ele”.

No mesmo dia, será exibido “Born Free – Os Filhos da Revolução“, documentário inédito na TV. Produção de 2014 dirigida por Bernardo Rebello, o filme mostra diferentes gerações de duas famílias sul-africanas, os Pooe e os Sibeko, impactadas pelo apartheid em proporções diferentes. A história mostra a luta dos avós, tratados como cidadãos inferiores e que só tiveram a chance de votar em 1994; dos pais, que cresceram sob uma sociedade racista dominada por uma minoria branca e, dos netos, que vivem em uma África do Sul livre, após a eleição de Nelson Mandela como primeiro presidente negro do país. Duas décadas após o fim do regime, o documentário também mostra os novos rumos enfrentados pela África do Sul com sua democracia emergente. A obra foi filmada na época das eleições presidenciais de maio do ano passado. A atração vai ao ar às 21h, com reprise no sábado, 21, às 0h30m e segunda, 23 de novembro, às 14h30m.

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