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Crítica: “Sequestro Relâmpago” quebra pagadigmas do cinema nacional

Sequestro Relâmpago

Suspense de Tata Amaral traz Marina Ruy Barbosa em sua primeira protagonista no cinema

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Nos dias atuais um dos maiores medos da população das grandes cidades é fazer parte das estatísticas de vítima de sequestro relâmpago. A prática que acabou se tornando comum nas capitais brasileiras traz medo e sensação de impotência e são estes sentimentos (com muita crítica social) impressos no longa da excelente diretora Tata Amaral (Antônia – O Filme).

O longa conta a história de Isabel (Marina Ruy Barbosa), uma jovem carioca que vive na capital paulistana, que ao sair para beber com suas amigas acaba sendo encurralada por dois jovens que desejam mantê-la como refém até que consigam retirar uma quantia significativa em dinheiro.

Baseado em fatos reais, a diretora Tata Amaral traz um longa que inicialmente gera apreensão em seu espectador. Logo no início somos introduzidos rapidamente aos protagonistas e suas motivações. Tudo é muito caótico e rápido, assim como o ritmo de São Paulo-, o que ajuda a construir o tom do longa.

Escolhida de maneira randômica, Isabel é abordada por Japonês (Daniel Rocha) e Matheus (Sidney Santiago) e sua reação nos leva logo a ter empatia com a protagonista por estar em estado de choque em passar por uma situação tão surreal – ponto positivo para a empenhada e talentosa Marina Ruy Barbosa.

Nos 20 primeiros minutos do longa, somos levados a uma São Paulo suja e que reflete a situação de vulnerabilidade de Isabel. É angustiante pensar que ela é uma mulher e está nas mãos de dois criminosos homens. Mas, estas sensações dão espaço a outros que gera até um certo incômodo no espectador.

Em um certo momento, a visão de menina frágil e vulnerável de Isabel dá lugar a um questionamento de síndrome de Estocolmo -, acredito que propositalmente para que a jornada dela se torne mais emocionante e gere situações que ajudam a criar mais clima de suspense.

Conhecendo o histórico da diretora, acredito que esta sensações que a protagonista desperta em nós (gerando até raiva), seja realmente proposital. Isabel é colocada em várias situações limite e sinceramente cada ser humano reagiria de uma maneira – e sua representação faz com que todas estejam lá em algum momento.

Apesar de ser baseado em uma histórica verídica, o filme que foca em várias horas do sequestro acaba em certos momentos retratando situações aparentemente ficcionadas. E são nesses momentos que o longa perde um pouco de fôlego. Não sabemos se algo foi aumentado, mas existem 2 situações que parecem ter sido tiradas dos filmes americanos de terror e sinceramente acabam deixando a situação com cara de fake.

Espero que Sequestro Relâmpago conquiste o seu lugar na história do cinema nacional. Apesar de alguns problemas, o longa ajuda a quebrar paradigmas criados contra os nossos filmes brasileiros. Ele é sim um longa de gênero, com uma fotografia excelente, uma direção primorosa e que não perde nada para os grandes filmes blockbusters americanos que consumimos desenfreadamente.

 

Paula Prata

Estudante de comunicação social com foco em Jornalismo, redatora, apaixonada por musicais, teatro, música, cinema, TV e cultura pop em geral.

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