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Roger Waters se posiciona contra Bolsonaro em São Paulo

O candidato a presidência apareceu na lista de Neo-fascistas exibidas durante a turnê

Nesta terça, 09 aconteceu em São Paulo o primeiro show do ex-líder do Pink Floyd Roger Waters no Allianz Parque. O músico tocou para 45,5 mil pessoas no estádio e conseguiu arrancar reações diversas ao seu espetáculo.

Desde Pink Floyd, Waters discute abertamente dentro de seu trabalho sobre questões políticas ao redor do mundo. Sua turnê atual “Us + Them” é recheada de críticas ao atual presidente dos Estados Unidos Donald Trump, além de críticas a outros líderes ao redor do mundo como por exemplo Vladmir Putin, da Rússia.

Há algumas semanas atrás, alguns meios de comunicação e internautas começaram a se questionar se Waters iria se posicionar no Brasil, uma vez que o país está vivendo um caos político.

A resposta veio ontem. Roger fez uma pausa longa e dramática após a música “Another brick in the wall”, durante este período o telão do show exibiu algumas coisas que o cantor pede que seus fãs resistam, tais como anti-semitismo, destruição do meio ambiente, tortura e outros.

Em uma das mensagens, aparecia a frase “resista ao fascismo”, logo em seguida as palavras “o neofascismo está crescendo pelo mundo” seguido de uma lista com nomes de governantes considerados fascistas ao redor do mundo. A lista que já fazia parte da turnê contava com os nomes de Donald Trump, Viktor Orbán, Marine Le Pen, Sebastian Kurz, Nigel Farage, Theodore Kaczynski e Vladmir Putin e aqui no Brasil ganhou o nome do candidato Jair Bolsonaro.

Roger Waters exibe nome de Bolsonaro na lista de governantes neo-fascistas.

A imagem do telão foi seguida por aplausos e gritos a favor de um lado e vaias do outro, o cantor foi xingado de diversos nomes por muitas das pessoas que estavam no show e algumas até mesmo deixaram o estádio.

Waters não parou por aí: nas músicas “Eclipse” e “Mother” o telão exibia a frase #Elenão, hashtag criada por internautas para criticar o candidato Bolsonaro. Os xingamentos e vaias voltaram ao estádio com uma intensidade maior, Roger ficou claramente desconfortável e confuso, mas explicou que sabia que isso iria acontecer na América do Sul pois os latinos são muito intensos, em seguida o cantor engatou um discurso sobre as eleições no país.

#Elenao exibido no telão do show de Roger Waters

“Vocês têm uma eleição importante em três semanas. Vão ter que decidir quem querem como próximo presidente. Sei que não é da minha conta, mas eu sou contra o ressurgimento do fascismo por todo o mundo. E como um defensor dos Direitos Humanos, isso inclui o direito de protestar pacificamente sob a lei. Eu preferiria não viver sob as regras de alguém que acredita que a ditadura militar é uma coisa boa. Eu lembro dos dias ruins na América do Sul, e das ditaduras, e foi feio”, disse Roger Waters.

A reação de parte do público surpreende os fãs do cantor, uma vez que Waters sempre deixou claro suas posições políticas tanto na vida particular quanto em seu trabalho. Os álbuns solos e com a banda Pink Floyd sempre tiveram críticas políticas escancaradas, baseando-se nisso e em outros aspectos da longa carreira do cantor, as manifestações contra o candidato já eram esperadas no Brasil.

Paula Prata

Estudante de comunicação social com foco em Jornalismo, redatora, apaixonada por musicais, teatro, música, cinema, TV e cultura pop em geral.

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