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Especial de Halloween: Wes Craven, o mestre supremo do slasher

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Raras são as pessoas que assistiram A Hora do Pesadelo e não tiveram sonhos bizarros com Freddy Krueger correndo com a sua luva de facas. Presente na cultura pop dos filmes há mais de 40 décadas, Wes Craven foi o grande responsável por tirar o sono de gerações e ser definitivamente o pai do gênero slasher.

O cineasta falecido em 2015, foi um dos grandes responsáveis em popularizar os filmes de terror com assassinos em série que sempre se davam mal devido a uma mocinha aparentemente indefesa, mas muito esperta. Uma fórmula que até hoje é repetida no cinema e conquista fãs de todas as idades e várias gerações.

Vindo da indústria pornô, Craven em 1972 deu o ponta a pé inicial em sua carreira em Hollywood com o clássico Aniversário Macabro. O longa que foi proibido em mais de 10 países conta a história de duas jovens que são torturadas e seus torturadores pedem abrigo na casa dos pais de uma delas – um plot twist que fez o público e crítica na época compararem o filme a Psicose.

Aniversário Macabro (1972) – primeiro filme de Wes Craven

Aniversário Macabro deu destaque a Craven por sua direção ágil, sexy e ao mesmo tempo com referências a Hitchcock, uma mistura que foi vista com certa desconfiança, mas que conquistou um lado B do público que já reconheceu o seu talento e sua nova maneira de fazer terror.

Após o seu primeiro filme, Craven emendou um projeto atrás do outro. Quadrilha de Sádicos (seu segundo longa) consolidou seu nome e apresentou uma história violenta e controversa – o que ajudou a construir sua reputação.

A comparação com o clássico O Massacre da Serra Elétrica foi inevitável, mas, Quadrilha de Sádicos ganhou notoriedade por ser mais slasher, ter cenas mais violentas e muito mais sangue que o clássico de Tom Hopper – fazendo com que sua base de fãs aumentasse ainda mais.

Cena de Quadrilha de Sádicos (1977)

1,2…Freddy vai te pegar!

Talvez o maior clássico do mestre do terror foi A Hora do Pesadelo. Lançado em 1984, o longa foi roteirizado e dirigido por Craven, que se baseou em uma história real. SIM! Freddy Krueger foi inspirado na história de refugiados cambojanos, que tiveram pesadelos com uma mesma figura e dias depois faleceram de causas “misteriosas”.

Ao ficar impressionado com a história – Craven que estava com o seu reino ameaçado devido ao boom de Sexta-Feira 13 em 1980 -, redefiniu o gênero de terror que estava sofrendo com a saturação. O longa ganhou a crítica (o que era muito difícil na época) e o público, provocando insônia em muitas pessoas.

Criado por Craven, Freddy é baseado em um conto real

Freddy entrou para a cultura pop e se transformou em ícone do terror, ganhando várias sequências, uma batalha trash e épica em Freddy Vs Jason em 2003 e um remake em 2010 com a indicada ao Oscar Rooney Mara. Mas, o seu primeiro filme ainda impressiona pela boa direção e por descobrir talentos como Johnny Depp que fez sua primeira participação em um longa.

Em 1994, ele novamente retomou a franquia com O Novo Pesadelo, que depois do primeiro é um dos melhores da série por utilizar uma metalinguagem de seu próprio gênero – o que serviria de inspiração para a sua próxima grande criação: Pânico.

O Novo Pesadelo marca a volta de Craven a franquia

 

A coroação de Craven em Pânico

Após brincar com a metalinguagem e com o gênero de terror em O Novo Pesadelo, Craven e o roteirista Kevin Williamson trouxeram novamente o slasher raiz com a franquia Pânico.

Diferente de todos os filmes, Pânico tinha um roteiro que satirizava os próprios filmes de terror. No longa os jovens eram apaixonados por filmes e utilizavam eles como base para sobreviver a um assassino mascarado (que por sua vez também era fã de filmes de terror).

Já na cena de abertura do primeiro filme da franquia vemos Drew Barrymore (um grande nome de Hollywood) sendo vítima de GhostFace. Na época todos acreditavam que Barrymore seria a grande mocinha do filme, mas assim como  Psicose ela é a vítima responsável por desencadear a história. Com perguntas sobre filmes de terror, o assassino ligava para as suas vítimas e as matavam de maneira clichê, como os próprios filmes sugerem.

 

Drew Barrymore é a primeira vítima no filme Pânico

O longa que foi sucesso de crítica e público ganhando diversos prêmios no ano, inclusive o MTV Movie Awards, vencendo de filmes como Romeu + Julieta e Jerry Maguire: A Grande Virada (indicados ao Oscar).

Pânico teve 4 filmes, todos dirigidos por Craven e com o seu ótimo elenco original como protagonistas. Neve Campbell a “rainha do grito” da franquia ficou internacionalmente conhecida e até hoje é lembrada como a Sidney, a jovem empoderada que se transformou através dos longas.

Com 4 filmes, Pânico se tornou um enorme sucesso nos anos 90.

Apesar de repetir o sucesso do primeiro longa, Pânico 2 e 3 não conseguiram superar a genialidade do primeiro, já Pânico 4 (último filme do diretor) mostrou que Craven mesmo depois dos 70 anos ainda fazia jus ao seu título de inovador, mas foi uma grande que o filme fez um desempenho tão mediano nas bilheterias. Em seu último filme Pânico contou com novas linguagens, novas regras, referências e um time de atores jovens bem talentosos. 

Wes Craven sem sombra de dúvidas deixou o seu legado no cinema. Sua assinatura e sua inteligência fizeram com que o gênero ganhasse mais respeito e ajudasse a impulsionar carreiras de atores, roteiristas e produtores. Sua filmografia deve ser vista e revista pelos fãs dos gêneros.

No próximo Halloween, coma muita pipoca e faça uma maratona dos filmes de Craven, são sustos e diversão na certa.

Rubens de Farias

Formado em comunicação social, pós graduado em linguagem cinematográfica, roteirista, diretor, apaixonado por música, TV, quadrinhos e Louro José.

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