Estado não tem dinheiro para bancar a restauração do Museu do Ipiranga

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Foto do Museu do Ipiranga.

A obra de restauração do Museu do Ipiranga, que está fechado desde 2013, custará 111 milhões de reais. O valor é cinco vezes maior do que a estimativa inicial (21 milhões). Há quatro anos o prédio foi fechado por causa das más condições de conservação.

Um risco à sociedade

O prédio foi interditado às pressas em agosto de 2013, pois o forro estava prestes a desabar. Segundo um levantamento feito pela reportagem da Folha de São Paulo, os principais problemas estruturais do edifício são:

  1. Falha estrutural após a secção de alicerces, em 1930, que causou fissuras e trincas.
  2. O peso da biblioteca e da área de reserva técnica compromete a estrutura do prédio.
  3. Há danos graves de conservação nos ornatos e no revestimento da fachada.
  4. Na parte interna, houve desprendimento no forro de algumas salas.

Por que mais caro?

O valor final, de 111 milhões de reais, só foi divulgado agora, quatro anos após o fechamento do museu. Segundo Solange Ferraz, diretora do Museu Paulista, que é a entidade administradora do prédio, um estudo detalhado mostrou que a obra seria bem mais cara do que o previsto.

A Superintendência do Espaço Físico da USP, tomando como base processos de restauração em outros edifícios históricos, concluiu que será necessário desembolsar mais de 110 milhões. A complexidade desta pesquisa justificaria, inclusive, o atraso na divulgação do orçamento final.

E o projeto que já existia?

A questão é que já havia um projeto pronto, feito em parceria com ex-professores da Universidade de São Paulo e encabeçado pelo arquiteto Nestor Goulart dos Reis Filho, ex-Diretor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP.

O próprio Nestor contou à Folha que o projeto foi apresentado e aprovado pelo Conselho Deliberativo do Museu em julho de 2015, mas desde então ninguém mais entrou em contato com ele. Tudo indica que a proposta, fruto de mais de 2500 horas de trabalho feito com auxílio de cinco especialistas e outros 20 colaboradores, tenha sido simplesmente engavetada.

Como levantar essa verba?

Como você deve imaginar, o Estado não tem a verba necessária para concluir a reforma do museu. Ao que tudo indica será necessário pedir auxílio à iniciativa privada. Em setembro deste ano o governo paulista lançou um programa chamado Aliança Solidária, cujo objetivo é reunir empresários e angariar o capital necessário para a conclusão da obra.

Estima-se, porém, que por mais avançadas que estejam as conversas com os empreendedores, a capitação do valor total ocorra em aproximadamente cinco anos.

Quando fica pronto?

A previsão inicial era 2022, ano em que o Brasil comemora 200 anos da independência. Até agora não houve anúncio de prorrogação desta data. Embora a reforma sequer tenha começado, a Diretora do Museu Paulista, Solange Ferraz, garante que o prazo será cumprido, desde que haja recursos financeiros suficientes.

Em que pé estamos?

Hoje, quatro anos após o fechamento do Museu do Ipiranga, o projeto ainda não saiu do papel. O que já aconteceu, de fato, foi a transferência de alguns livros e outros documentos para imóveis vizinhos, alugados pela administração do Museu Paulista.

As 100 mil peças do acervo, no entanto, ainda não foram removidas. Elas serão guardadas em outras três casas no decorrer de 2018.

Problemas com o acervo do Museu do Ipiranga

Cinco dos objetos, entre eles o quadro ‘Independência ou Morte’, pintado por Pedro Américo e considerado um dos mais importantes patrimônios artísticos presentes no Brasil, talvez não possam ser removidos.

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Quadro ‘Independência ou Morte’, pintado por Pedro Américo. Foto: Irene Roiko

O quadro está chumbado à parede e, outro objeto, que é a maquete de São Paulo em 1841, corre risco de quebrar caso seja manuseada.

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