O Vá de Cultura acompanhou a peça Vermelho, no Tuca. Confira a resenha


Neste artigo você confere uma análise exclusiva sobre a montagem Vermelho, que ficará em cartaz no Teatro Tuca, até o dia 04 de dezembro.


Foto dos atores Bruno e Antonio Fagundes

Em cartaz na cidade de São Paulo, pela segunda vez, desde o dia 12 de agosto, o espetáculo Vermelho, estrelado por Antonio Fagundes, e seu filho Bruno Fagundes, tem arrancado elogios do público e da crítica. O Vá de Cultura assistiu à peça, e conversou com o ator Antonio Fagundes. Neste artigo você confere uma análise exclusiva sobre a montagem, que ficará em cartaz no Teatro Tuca, até o dia 04 de dezembro.

É realmente um espetáculo! Por um conjunto de fatores. O cenário, as interpretações, o texto John Logan, o ambiente do Teatro Tuca, que parece se fundir ao cenário, a interação dos atores com o público, e outras mil razões pontuais. A peça Vermelho apresenta um enredo baseado na vida do pintor Mark Rothko, ícone do movimento denominado Impressionismo Abstrato. As passagens mostram a relação de Rothko – personagem de Antonio Fagundes – com seu aprendiz Ken – interpretado por Bruno Fagundes -, e exprimem um pouco do drama pessoal do artista. Seus anseios e questionamentos sobre a vida ficam também explícitos na trama.

É um drama, mas com grandes pitadas de humor

É um drama, pois a vida de Rothko era dramática, pelo menos dentro da cabeça dele. Mas tem uma boa dose de humor, interpretado com maestria pelos Fagundes. Em vários momentos é possível rir muito, e o humor vem na hora certa, como um alívio à tensão gerada pelas partes dramáticas. É sem dúvida um teatro que mexe com o espectador.

O texto é escrito por ninguém menos do que John Logan, que entre outras coisas escreveu nada menos do que os roteiros dos filmes Gladiador, A Invenção de Hugo Cabret, O aviador, e os últimos dois filmes da franquia 007. Operação Skyfall e Contra Spectre.

A pintura da tela Vermelho

Em uma das mais marcantes e emocionantes cenas da peça, Antonio e Bruno Fagundes esticam e pintam de vermelho uma enorme tela. Tudo ao vivo, com tinta de verdade. Os atores nos contaram que esta cena costuma ser um desafio, pois na maioria das vezes, o público aplaude. Mas já aconteceu da platéia ficar em silêncio, como contou Bruno.

Já aconteceu da plateia ficar em silêncio, e aí a gente ficou meio sem saber o que fazer (risos). A gente esticou a mão assim, pra cima, e fez aquele sinal de “terminamos”. Depois a gente continuou com a cena normalmente.

Interação com o público

Outro momento bem marcante do espetáculo é o final. Claro, os aplausos e aclamações do público causam aquela emoção toda. Mas logo depois dos cumprimentos, os atores sentam no palco para conversar com a plateia. Qualquer espectador pode perguntar o que quiser, conversar com eles e interagir à vontade. É um momento de feedback, entre o público e o elenco.

Logo depois, Antonio Fagundes e Bruno fazem uma espécie de jogo. Eles disponibilizam dois ingressos, e aquela tela que eles pintaram durante o espetáculo, para um leilão. O leilão começa ali mesmo, cada espectador dá um lance, e quem der o maior leva. Na sessão em que o Vá de Cultura esteve, o lance mínimo do leilão foi de R$ 50, e o par de ingressos e a tela foram arrematados por R$ 530.

Um projeto sem patrocínio

Sim, a peça vermelho é bancada única e exclusivamente pela bilheteria do teatro. O ator Antonio Fagundes contou que o fato de o espetáculo seguir em cartaz sem patrocinadores foi uma opção da própria produção.

As leis de incentivo têm uma forma meio estranha de aprovação. Depois disso você tem que sair para captar, e quem decide qual projeto apoiar é o diretor de marketing das empresas. A gente não gosta muito disso, então optamos por seguir sem patrocínio. Comentou Fagundes.

Acessibilidade

A exemplo da peça Tribos, a produção de Vermelho investe em uma robusta estrutura de acessibilidade. Uma vez por mês, todo último sábado, o espetáculo é apresentado em uma sessão acessível. Cada espectador surdo recebe um tablet com legendas. Para os que não são alfabetizados em português, uma tradutora de Libras fica ao lado do palco. A estrutura é custeada pela própria produção.

Prepare a sua agenda

O espetáculo Vermelho fica em cartaz no Teatro Tuca até o dia 4 de dezembro. As apresentações acontecem sempre às sextas, sábados e domingos, em horários alternados. Sextas e sábados a peça começa às 21h30, e aos domingos, às 18h00. O valor dos ingressos também varia. às sextas o preço é R$ 60, aos sábados R$ 80 e aos domingos R$ 70. Estudantes e maiores de 60 anos pagam meia entrada.


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