Escritora norueguesa Maja Lunde lança seu novo livro em São Paulo


Tudo que deixamos para trás, O novo livro de Maja Lunde, premiada escritora norueguesa, aborda as relações humanas com um mote bem ecológico. A Livraria da Vila da Alameda Lorena recebe na noite desta quinta, 3 de novembro, a escritora Maja Lunde, para o lançamento de seu primeiro livro para adultos. O romance Tudo que deixamos para […]


Tudo que deixamos para trás, O novo livro de Maja Lunde, premiada escritora norueguesa, aborda as relações humanas com um mote bem ecológico.

A Livraria da Vila da Alameda Lorena recebe na noite desta quinta, 3 de novembro, a escritora Maja Lunde, para o lançamento de seu primeiro livro para adultos. O romance Tudo que deixamos para trás, livro que venceu o prêmio Norwegian Booksellers’ Prize 2015, é uma ficção que traz como base o desaparecimento das abelhas e suas consequências para a humanidade, e em cima deste tema desenvolve um enredo sobre a relação pessoais, a natureza e, em especial, o relacionamento entre pais e filhos.

A sessão de autógrafos com a escritora começa às 19h. O Vá de Cultura entrevistou Maja Lunde, e você confere a entrevista, na íntegra, logo abaixo.

Sobre Maja Lunde

É autora e roteirista norueguesa. Nasceu e cresceu em Oslo, onde vive até hoje com seu marido e três filhos pequenos. Possui mestrado em Mídia e Comunicação pela Universidade de Oslo e escreveu aclamados livros infanto-juvenis. Maja também escreve roteiros para programas de televisão, incluindo o drama Hjem e a série de humor Side om Side, ambas com grande sucesso de audiência. Tudo Que Deixamos Para Trás é seu primeiro livro adulto e seus direitos já foram vendidos para mais de 25 países.

Entrevista – Maja Lunde fala sobre o livro

Este livro já é premiado e os direitos autorais foram vendidos para mais de 30 países. Por que você decidiu lançar o livro no Brasil e quais são suas expectativas sobre isso, já que o povo brasileiro geralmente se interessa por romances?

Precisamos de todos os elementos da natureza, tanto os grandes como os pequenos. Abelhas, insetos, são quase como um termômetro para a saúde do planeta. Quando eles estão em apuros, estamos em apuros. Muitos leitores me dizem que o romance abriu seus olhos para esse aspecto do mundo; O romance os fez perceber que a mudança climática não[NG1]  é apenas algo tão abstrato quanto o aquecimento global, mas que também acontece em nosso próprio jardim. Se algo assim puder acontecer também aos leitores do Brasil, ficarei muito grata. E, claro, espero que eles se envolvam na história. Muitos leitores me dizem que uma vez que começam a leitura do romance não conseguem parar de ler. Eu amo isso, quando posso levar o leitor para outro mundo. O vínculo entre leitor e autor é a coisa especial que acontece quando você lê um livro. Saber que eu posso dar isso aos leitores me faz muito feliz.

 

A história é muito original. Como surgiu a ideia de contextualizar o romance com uma questão ecológica tão importante, tão pouco discutida, o desaparecimento das abelhas.

Eu tive a ideia para este romance vendo um documentário sobre Colony Collapse Disorder. Quando comecei a trabalhar com o livro, eu tinha 3 perguntas: por que as abelhas morrem, como é o sentimento de perdê-las e como seria o mundo sem insetos polinizadores?

Para responder às perguntas fiz uma investigação, e através da pesquisa eu encontrei os 3 personagens principais do romance – no passado, no presente e no futuro. O passado é inspirado por biólogos atuais e apicultores que vivem na Europa e nos EUA. O futuro pelo fato de que na China as pessoas já fazem polinização manual.

Os três personagens principais do livro são muito diferentes, vivem em diferentes épocas e lugares, mas têm algo em comum. Todos eles são pessoas ansiosas, cheias de medo e esperança, e com espírito de luta e resignação. E todos querem o melhor para seus filhos, mas nem sempre sabem o que de fato é o melhor. A relação entre pais e filhos são cheias de amor, mas muitas vezes têm grande ambivalência. As crianças estão em constante evolução, e constantemente mudam o papel dos pais. Há sempre algo novo para aprender, novos desafios, mas também coisas novas para ser grato.

Os seres humanos estão constantemente tentando se certificar de que os filhos têm o que eles precisam, e isso é uma força que nos impulsiona e nos conecta aos animais. Queremos dar tudo aos nossos filhos, mas, na Noruega pelo menos, às vezes esquecemos que tudo é demais. As crianças nem sempre precisam de um brinquedo novo. Às vezes elas só precisam de um abraço. Talvez devêssemos pensar um pouco menos sobre nós mesmos e um pouco mais no planeta – como as abelhas, pois todas elas trabalham para a colmeia, que é o seu pequeno planeta.

As relações pessoais são um assunto importante. As pessoas parecem estar carentes dessa humanização. De certa forma, você acha que isso acontece por causa da impessoalidade causada pela mídia e pela Internet?

Eu, como muitos outros, gasto muitas horas na internet todos os dias. Eu realmente não me sinto feliz com isso. Sim, estamos todos colados aos nossos telefones e telas, mas eu ainda acho que nos importamos. Nunca deixaremos de nos preocupar com nossos filhos, por exemplo. O amor que temos por nossos filhos e a relação complicada entre crianças e pais são os dois dos temas mais importantes do meu romance. Esta relação realmente me fascina, está mudando o tempo todo, é muito dinâmica. Quando nossos filhos crescem, eles mudam. E nós, como pais, temos que tentar mudar junto com eles. Isso é muito difícil. Mas o amor que temos por nossos filhos é tão forte que somos capazes de fazer qualquer coisa por eles.

Você escreveu literatura infantil e foi reconhecida por isso. Por que e quando você decidiu escrever literatura para adultos?

Isso foi uma coisa que cresceu em mim, não foi uma decisão consciente. Eu nunca planejei ser uma escritora, mas eu simplesmente não conseguia parar de escrever. E, desde que comecei a escrever para as crianças, o passo para escrever para adultos não foi tão distante. Eu só quis escrever um romance que eu realmente gostaria de ler, em vez de escrever para alguém de dez anos de idade, como eu faço quando escrevo para as crianças.

Quando eu assisti ao documentário sobre Colony Collapse Disorder, fiquei tão assustada e fascinada pelas abelhas, e com o quão importante elas são para nós. Eu imediatamente soube que eu queria escrever um romance sobre isso.

Você também é roteirista. Quais são as principais diferenças entre escrever um livro e escrever para a TV?

A maior diferença é a linguagem. Escrevendo para cinema e TV você não precisa trabalhar com as frases e encontrar uma voz para sua história. Eu amo isso. Conhecer meus personagens através de suas vozes. Dá para entrar na mente do personagem. Este livro tem três vozes completamente diferentes, e isso faz parte do porquê foi tão instigante escrevê-lo.

Quais são suas inspirações e referências como escritor? O que você costuma ler?

Eu leio todos os tipos de livros. Ficção e não-ficção. Os últimos que li serviram como pesquisa para o meu romance. Quando eu trabalhei neste livro fui inspirada por escritores tão diferentes como Dickens e Murakami, mas ainda encontro mais inspiração em coisas que acontecem comigo. As ideias apenas aparecem o tempo todo. Quando escuto o rádio, quando brinco com meus filhos ou quando corro no bosque fora de Oslo.

Você lê literatura brasileira? Você tem algum título ou autor favorito?

Sou muito curiosa sobre a literatura brasileira, mas ainda não li muito, já que muitos dos livros não são traduzidos para o norueguês. Clarice Lispector é uma autora que, nos últimos anos, está definitivamente na minha lista de leitura. Patricia Melo é outra.

Paulistano, criador e editor-chefe do Vá de Cultura, é estudante de jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu. Formado em música, vive com base em café e tem um gosto especial pelo jornalismo cultural e pelo fomento da cultura brasileira.

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