Mostra apresenta obras de artista assassinado pela Ditadura Militar


Após quase dois anos de pesquisa, foram identificada cerca de 200 obras de Antonio Benetazzo, morto por agentes da Ditadura Militar, que ficarão disponíveis agora para a visitação do público Uma recente pesquisa sobre as vítimas da repressão na época da Ditadura Militar no Brasil revelou 200 obras de arte do artista plástico Antonio Benetazzo, […]


Após quase dois anos de pesquisa, foram identificada cerca de 200 obras de Antonio Benetazzo, morto por agentes da Ditadura Militar, que ficarão disponíveis agora para a visitação do público

Uma recente pesquisa sobre as vítimas da repressão na época da Ditadura Militar no Brasil revelou 200 obras de arte do artista plástico Antonio Benetazzo, que permanecia como um artista clandestino à época. O trabalho será exposto agora em São Paulo, permitindo que a população tenha acesso gratuito à parte das obras.

A mostra ficará em cartaz no Centro Cultural São Paulo, à partir do próximo dia 31 de março. A variedade estilística e os eixos temáticos do autor serão divididos em seis partes, que abrigarão cerca de 90 obras, incluindo os desenhos realizados por volta de 1971, época em que Benetazzo esteve na clandestinidade.

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O público poderá conferir também alguns objetos pessoais e cópias do jornal Imprensa Popular, publicação oficial do Movimento de Libertação Popular, redigido por Antonio. A exposição tem ainda parceria com a Secretaria Municipal de Cultura e com o Centro Cultural São Paulo, e conta com apoio do Instituto Vladimir Herzog.

O artista

Uma das fases mais intensas da trajetória artística de Benetazzo ocorreu na segunda metade da década de 1960. Naquele período, professor de Filosofia e de História da Arte no Cursinho Universitário e no Instituto de Arte e Decoração (Iadê), Benetazzo compôs mais de 150 obras, com estilos, motivos e técnicas os mais variados. Dessa época datam autorretratos, retratos de familiares e de amigos, representações do corpo e da sexualidade feminina, abstrações realizadas com cores vibrantes, colagens pop a partir de material publicitário e nanquins, em diálogo com a estética visual dos ideogramas. Benetazzo se dedicou, ainda, à fotografia, incluindo vistas da cidade de Caraguatatuba, detalhes da arquitetura paulistana, cliques de banners espalhados por São Paulo e retratos de populares na rua.

Simultaneamente às atividades artísticas, Benetazzo ampliou o seu engajamento político. De 1965 em diante, rompeu com o Partido Comunista Brasileiro (PCB), por ser contra a linha “pacifista” e institucional de resistência aos militares adotada pelo Partidão, e se aproximou da luta armada contra a ditadura. Primeiro se envolveu com a Dissidência Universitária de São Paulo (DISP) e depois, a partir de 1968/69, com a Aliança Libertadora Nacional (ALN). Em 1968, Benetazzo ajudou a organizar o 30º congresso da UNE, em Ibiúna (SP).

Ingressando na clandestinidade em 1969, quando militava na ALN, Benetazzo mudou-se para Cuba onde adquiriu treinamento de guerrilha. Ainda em Cuba, ajudou a fundar um novo grupo de esquerda, o Movimento de Libertação Popular (MOLIPO), que a partir de 1971 passou a realizar várias ações revolucionárias em luta contra o regime militar.

Retornou secretamente ao Brasil na segunda metade de 1971, quando continuou atuando na clandestinidade e ajudou a desenvolver inúmeras ações políticas pelo MOLIPO. No decorrer de 1972, redigiu praticamente todos os textos do Imprensa popular, jornal oficial do MOLIPO, no qual denunciava a ditadura e defendia a luta armada como projeto de resistência contra o regime militar. Capturado por agentes da repressão no dia 28 de outubro de 1972, dois dias depois foi brutalmente assassinado a pedradas, no Sítio 31 de Março, em Parelheiros.

A exposição Permanências do Sensível, com as obras de Antonio Benetazzo, ficará em cartaz entre os dias 31 de março e 29 de maio, no Centro Cultural São Paulo. A entrada é gratuita, e recomendada para maiores de 14 anos.

Permanências do Sensível, Antonio Benetazzo
Onde: Centro Cultural São Paulo
Quando: 31 de março à 29 de maio
Endereço: Rua Vergueiro, 1000 – Paraíso
Ingressos: #VáDeGraça

Paulistano, criador e editor-chefe do Vá de Cultura, é estudante de jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu. Formado em música, vive com base em café e tem um gosto especial pelo jornalismo cultural e pelo fomento da cultura brasileira.

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