Conheça as nove obras que integram a mostra Contando Ovelhas Elétricas


Com nove obras, a mostra Contando Ovelhas Elétricas promove uma relações inesperadas entre elementos sintéticos com fenômenos naturais e sociais




Com nove obras da dupla de artistas, a mostra Contando Ovelhas Elétricas promove uma relações inesperadas entre elementos sintéticos com fenômenos naturais e sociais

Parte do projeto Desdobramentos, Acervo em Expansão, a exposição Contando Ovelhas Elétricas traz obras dos artistas Gisela Motta e Leandro Lima, que serão expostas no Sesc Santo Amaro a partir de 19 de março. A exposição tem curadoria de Paulo Miyada, coordenador no Núcleo de Pesquisa e Curadoria do Instituto Tomie Ohtake.

As nove obras da dupla, produzidas desde 2007, que fazem parte da mostra exploram a região ambivalente entre o sintético do natural e o natural do sintético. Circuitos eletrônicos, ondas sonoras, lâmpadas fluorescentes, câmeras sensíveis ao calor e outros artefatos fabricados estão entre os componentes de surpreendentes demonstrações de vida, que nos falam sobre os corpos, as cidades, as paisagens e a natureza.

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Para Paulo Miyada as obras promovem relações inesperadas, permitindo que elementos sintéticos (elétricos, digitais ou, simplesmente, artificiais) apresentem propriedades relevantes de certos fenômenos naturais ou sociais.

Um circuito eletrônico como o que se encontra em um computador normalmente é uma ferramenta cuja forma decorre estritamente de parâmetros técnicos, sem preocupações formais ou significados estéticos; quando os artistas imprimem circuitos desse tipo com as vias de tráfego de grandes cidades, eles mudam de significado, deixando de atender um critério funcional e servindo como metáfora da circulação e ordenação urbana, ou a falta dela”, explica o curador.

Inspirada no livro Androides sonham com ovelhas elétricas?, romance do norte-americano Philip K. Dick que inspirou o roteiro do filme Blade Runner (1982), a exposição dos artistas Gisela Motta e Leandro Lima mostra obras que empregam técnicas e mídias diferentes, mas que funcionam em conjunto.

Entre elas há uma série de maneiras de relacionar artifícios de construção imagética com fenômenos naturais e sociais concretos em nossa realidade; quer dizer, são modos de reapresentar coisas que conhecemos bem de forma nova, com recursos técnicos especialmente escolhidos e desenvolvidos pelos artistas”, conta Miyada.

Entre as obras, destaque para Relâmpago (2015), que por meio de uma composição de lâmpadas tubulares, o violáceo da radiação luminosa dos relâmpagos é reproduzido, trazendo a potência e a fragilidade presentes em uma descarga elétrica. A peça é composta por lâmpadas do tipo activiva, que, segundo o fabricante, promove o bem estar e a produtividade do ser humano, além de estimular a fotossíntese. Fica evidente a observação dos artistas a respeito da dependência que o homem tem da energia elétrica, ao menos em perímetros urbanos. De um modo geral, o raio representa um poder ao mesmo tempo criador e destruidor, seja observando por um ponto de vista científico ou mitológico.

Calar (2011) apresenta dois canais de vídeo sincronizados e em cada vídeo há o rosto de uma pessoa captada com uma câmera térmica. As mudanças na temperatura da pele acontecem mediante ao toque do outro, que se faz perceptível ao desenhar com frio ou calor no corpo do parceiro. Já a instalação sonora Cigarras (2009) traz buzzers, pequenos alto-falantes utilizados em alarmes, que são pré-programados de forma a simularem o som de centenas de cigarras. A cada 30 minutos a conversa evolui até todos os buzzers dispararem em um momento de alarde, anunciando algo que está por vir.

Contando Ovelhas Elétricas
Quando:
19 de março a 26 de julho
Horários de visitação: Terça a sexta, das 10h30 às 21 horas, sábados, domingos e feriados, das 11 horas às 18 horas
Onde: Espaço das Artes do Sesc Santo Amaro
Endereço: Rua Amador Bueno, 505, Santo Amaro
Ingressos: #VaDeGraça


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